Helena havia combinado de encontrar Laura para escolher o vestido que usaria no jantar da família Bittencourt, mas a amiga avisou por mensagem que se atrasaria.
Enquanto observava as vitrines, encontrou Danilo por acaso. Ele a convidou para um café. Helena recusou de início, pois não desejava reaproximar-se dele, mas Danilo insistiu, alegando que queria tratar de um assunto profissional e que seria apenas uma conversa rápida. Por fim, ela aceitou.
Sentados à mesa, trocaram algumas amenidades até que Danilo assumiu um tom mais sério.
— Você parece estar bem. Casou-se com um dos homens mais ricos do país, e ouvi dizer que seu marido está conquistando projeção internacional. No fim das contas, nosso término acabou sendo bom para você.
O leve sorriso de Helena desapareceu. Seus olhos se tornaram frios.
— Então você acha que eu deveria ser grata por ter encerrado nosso relacionamento por mensagem?
Danilo desviou o olhar por um instante.
— Sei que parece absurdo, mas, no final, fiz um favor a você.
— Aonde quer chegar, Danilo?
Ele pousou a mão sobre a dela. Helena ficou imóvel por um breve instante, surpresa.
Do outro lado da cafeteria, Eduardo presenciou a cena. Seus olhos escureceram, o corpo se retesou e as mãos se fecharam involuntariamente. Sem dizer uma palavra, virou-se e se afastou a passos firmes.
Helena fitou a mão de Danilo sobre a sua. Um gesto que antes poderia significar carinho agora lhe causava repulsa. Retirou a mão imediatamente.
— Desculpe. Acho que passei dos limites — admitiu ele.
— Sim, passou. Se não há nada mais a dizer, preciso ir.
Ela fez menção de se levantar.
— Espere. Agi por impulso, me desculpe. Reencontrá-la me fez perceber o quanto fui cego. Naquela época eu era imaturo e não enxerguei a mulher extraordinária que tinha ao meu lado. Hoje me arrependo de tê-la perdido.
Helena sustentou seu olhar com firmeza.
— Danilo, sou uma mulher casada. Por favor, se voltarmos a nos encontrar, não precisa sequer me cumprimentar.
Ela se levantou e deixou a cafeteria. Danilo a acompanhou com os olhos e, quando ela desapareceu entre as pessoas, um sorriso satisfeito surgiu em seus lábios.
Seu celular vibrou no bolso do paletó. Ao abrir a mensagem, Danilo encontrou as fotografias recém-tiradas. Observou-as por alguns instantes e as salvou junto às demais. Em seguida, recostou-se na cadeira e voltou a tomar o café com aparente tranquilidade.
Desde que soube da prisão de Viviane e que ela dificilmente sairia logo, Danilo decidiu seguir sozinho o caminho que ela lhe mostrara.
Poucos dias antes, um homem chamado Henrique o havia procurado a pedido de Viviane, ele contou o que havia acontecido com ela e lhe entregou um envelope.
— Eu não sei o que tem aí. — Havia dito Henrique. — Mas a Viviane disse que tem o que você precisa para continuar.
Danilo olhou para o envelope estendido e o pegou.
— Espero que saiba o que fazer e não acabar como ela.
Depois de dizer isso o homem se virou e se afastou, sumindo entre as pessoas que caminhavam no parque.
Agora os objetivos já não eram exatamente os mesmos, mas a ambição permanecia. Enquanto fitava a tela do celular, um leve sorriso surgiu em seus lábios. Aquelas imagens junto com o que Viviane havia lhe dado eram apenas o começo. O tempo estava se esgotando, tinha que agir mais rápido e só precisava de mais uma oportunidade.
*****
Enquanto se afastava da cafeteria, o celular de Helena tocou. Era Laura.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido