— Não é um empréstimo.
— Mas...
— Também não saiu da Monteiro Participações ou do Grupo e muito menos do banco Nexus. — Eduardo sustentou seu olhar, não com frieza, mas com determinação. — Esse dinheiro saiu da minha conta pessoal.
Helena ficou imóvel.
— Essa quantia...
— É insignificante para mim. — A resposta veio seca, sem qualquer traço de arrogância. — Não quero que você me devolva um centavo.
Ela apertou a pasta contra o peito.
— Mesmo assim...
— Helena. — Ele a interrompeu. — Você acabou de dizer que precisava de ajuda para salvar sua empresa.
Ela não respondeu.
— Então estou ajudando.
Os olhos dela vacilaram.
— Eu não posso aceitar.
— Pode.
— Não seria justo.
Eduardo deu um passo à frente.
— Justo? — Ele soltou um sorriso breve, quase amargo. — Somos casados. Você prefere a ajuda de um estranho a do seu marido. Percebe o que pensarão se isso se tornar público?
A frase fez Helena prender a respiração.
— Sua empresa faz parte da sua vida e você faz parte da minha de uma forma ou de outra, seja através de um contrato ou não.
Ela permaneceu em silêncio e Eduardo respirou fundo antes de continuar.
— Há apenas uma condição.
Ela levantou lentamente a cabeça.
— Qual?
Os olhos dele permaneceram fixos nos dela.
— Amanhã você liga para Bruno e informa que a parceria não será mais necessária.
Ela permaneceu imóvel. Eduardo prosseguiu, sem alterar o tom.
— O Grupo Lima continuará sendo um dos principais clientes da Vasconcelos Mármores e Granitos. Nada muda entre as empresas. — Fez uma breve pausa. — Bruno continuará sendo apenas um cliente.
O silêncio voltou a preencher a sala. Helena baixou os olhos para os documentos em suas mãos e depois tornou a encará-lo.
— Helena, eu estou oferecendo uma solução… rápida e sem prejuízo.
— E ela tem um preço. — Disse ela com voz firme. — Você está me oferecendo ajuda... ou está me apresentando outro contrato?"
As palavras dela o atingiram. Porque ambos sabiam que não estavam mais falando sobre dinheiro.
Helena permaneceu alguns segundos olhando para os documentos, depois fechou a pasta cuidadosamente.
— Você sabe qual é a diferença entre essa proposta e a de Bruno?
Eduardo franziu a testa.
— Os dois estão me oferecendo uma solução para salvar minha empresa. — Ela respirou fundo. — A diferença é que Bruno foi honesto sobre os interesses dele.
Eduardo endureceu a expressão.
— E eu não estou sendo?

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