Ao chegar à empresa naquela manhã, não demorou muito para Ana bater à porta.
— Senhora Helena, o senhor Bruno Lima acabou de chegar.
Helena soltou um discreto suspiro de resignação.
— Pode deixá-lo entrar.
Ana saiu e, instantes depois, Bruno entrou carregando uma pasta. Trazia o sorriso sereno e cordial de sempre.
— Bom dia, Helena.
— Bom dia, Bruno.
Helena levantou-se e estendeu a mão, seguindo o protocolo que mantinha entre parceiros de negócios.
Bruno colocou a pasta sobre a mesa.
— Trouxe a proposta, assim que assinamos estará tudo liberado.
Helena sorriu com um misto de gratidão e constrangimento.
— Não será mais necessário... Eduardo interveio.
Por um breve instante, o sorriso de Bruno vacilou. Ele não perguntou o que havia acontecido. Ele já sabia. Conhecia Eduardo o suficiente para saber que, quando decidia agir, difícilmente alguém era páreo para ele.
— Entendo.
— Sinto muito, ele só me contou ontem a noite. Tudo foi rápido demais e não tive como te avisar antes.
Bruno assentiu lentamente.
Sabia exatamente como Eduardo funcionava. Quando assumia um problema, ele era extremamente agressivo, quase implacável, sem medir esforços nem recursos para resolvê-lo.
— Ele é seu marido. Era dever dele intervir, afinal sua empresa não está nessa situação por culpa sua e tenho certeza que logo vão se recuperar.
— Você não ficou chateado?
Bruno recuperou seu semblante sereno.
— Jamais ficaria chateado com você.
A forma doce como Bruno falou, desconcertou Helena e os olhares permaneceram presos um ao outro por alguns instantes, até que Bruno pigarreou discretamente e pegou a pasta novamente.
— Bem... já que tudo foi resolvido, acho melhor eu ir.
— Obrigada por ter vindo.
Bruno levantou e Helena também, o clima entre eles de repente ficou um pouco desconcertante.
Assim que Bruno deixou a sala, Helena ficou olhando para a porta.
Do lado de fora, Bruno acabou esbarrando sem querer ao se virar em Bianca que vinha apressada pelo corredor com vários documentos na mão. O salto alto que usava fez seu pé virar e ela perder completamente o equilíbrio.
Sem pensar, Bruno estendeu os braços. Uma das mãos envolveu sua cintura, impedindo a queda. A outra sustentou suas costas com firmeza.
Os documentos escaparam de suas mãos e se espalharam pelo corredor. Por um instante, o tempo pareceu desacelerar.
Bianca permaneceu imóvel.
Estava tão próxima dele que podia sentir o perfume discreto de seu pós-barba e o calor que vinha de seu corpo. Suas mãos, instintivamente apoiadas sobre o peito de Bruno, percebeu sob o tecido do terno a firmeza de seus músculos firmes.
Ela ergueu os olhos e encontrou um olhar calmo, gentil... surpreendentemente preocupado.
— Você se machucou? — perguntou Bruno em voz baixa.
Bianca demorou alguns segundos para responder. Era como se sua mente tivesse simplesmente parado de funcionar.
— Bianca, você está bem?
Ela piscou algumas vezes, voltando à realidade.
— E-eu...
Olhou ao redor e finalmente percebeu os papéis espalhados pelo chão. Seu rosto corou imediatamente.
— Meu Deus... que vergonha.
Ela afastou-se depressa, abaixando-se para recolher os documentos.
— Desculpe... eu estava distraída.
Bruno sorriu com a mesma tranquilidade de sempre e agachou-se ao lado dela para ajudá-la.
— A culpa foi minha também.
Os dois estenderam a mão para a mesma folha e seus dedos se tocaram de leve. Bianca retirou a mão quase imediatamente, enquanto um calor inexplicável subia até seu rosto.
Bruno apenas sorriu, entregando-lhe o documento.
— Aqui está.
— Obrigada...
O coração de Bianca estava acelerado... e não era por causa da correria do trabalho.
Depois de recolher tudo, Bruno lhe sorriu, aquele sorriso que a fazia derreter por dentro.
— Tenha um bom dia, Bianca.
Ele se voltou e a deixou parada no mesmo lugar enquanto se afastava.
*****
Enquanto as coisas voltavam ao normal na Vasconcelos Mármores e Granitos, Eduardo permanecia concentrado na planilha à sua frente quando Murilo entrou apressado.
Eduardo ergueu os olhos e viu a expressão quase desesperada do rapaz, geralmente tão controlado.
— Senhor... aconteceu de novo. Tentaram invadir nossos sistemas.

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