Naquela mesma noite, Eduardo e Helena chegaram a um dos restaurantes mais exclusivos da cidade, localizado na cobertura de um luxuoso hotel, frequentado por magnatas e grandes personalidades.
O restaurante, premiado com três estrelas Michelin, oferecia uma das vistas mais privilegiadas da cidade.
Foram recepcionados pelo maître, que os cumprimentou com discrição e os conduziu até a mesa reservada. Enquanto atravessavam o salão, era impossível não prestar atenção ao casal.
Helena usava um vestido preto de corte elegante, com decote quadrado que valorizava seu colo e a pele clara. Os cabelos estavam escovados em ondas suaves, emoldurando seu rosto.
Eduardo estava impecável em um terno cinza-claro, perfeitamente ajustado ao corpo.
A mesa reservada era uma das melhores do restaurante, posicionada próxima às grandes janelas de vidro, de onde se podia contemplar a cidade iluminada.
Helena já ouvira falar daquele lugar, mas jamais imaginara que Eduardo a levaria para jantar ali.
Ele afastou a cadeira para que ela se sentasse e, depois, ocupou o lugar diante dela. Por alguns segundos, os dois simplesmente se olharam.
Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Eduardo.
— Você está muito bonita esta noite.
O elogio, tão simples e inesperado, fez Helena sentir o rosto aquecer.
— Obrigada.
Ela desviou os olhos, tentando esconder o constrangimento.
Helena observou o ambiente ao redor. Tudo era sofisticado: a iluminação suave, as mesas cuidadosamente dispostas, um pianista tocava uma melodia tranquila acompanhado por uma cantora criavam uma atmosfera acolhedora, íntima e quase romântica.
Os clientes pertenciam à mais alta sociedade, e Eduardo, apesar de ser um dos empresários mais conhecidos do país, não parecia chamar atenção apenas por sua posição.
Os olhares voltavam-se para os dois pela beleza e pela harmonia que transmitiam como casal. Helena sentiu uma estranha sensação ao perceber isso e por alguns instantes, quase conseguiu acreditar naquela imagem.
Após os pedidos, o garçom serviu o vinho e, para surpresa de Helena, Eduardo ergueu a taça.
— Que esta noite possamos viver algo novo. Sem negócios ou outras preocupações.
Helena ergueu a sua em resposta.
— À nossa noite.
As taças tocaram suavemente.
— À nossa noite.
Logo depois levaram as taças aos lábios e beberam.
— E sobre o que gostaria de conversar hoje?
Eduardo recostou-se na cadeira, parecendo mais relaxado do que de costume.
— Talvez possamos falar de nós.
Helena ergueu as sobrancelhas.
— De nós?
— Nossos gostos. Nossas preferências. Coisas que nunca tivemos tempo de descobrir.
Ela sorriu discretamente.
— Tudo bem.
E, pouco a pouco, a conversa tomou um rumo inesperado.
Descobriram que gostavam do mesmo estilo musical. Falaram sobre filmes que ambos apreciavam e descobriram que os dois gostavam de ir ao cinema, embora fazia muito tempo que nenhum deles conseguia fazer isso e de andar entre as pessoas sem ser reconhecido.
— Andar pela cidade sem precisar pensar em quem está olhando. Entrar em algum lugar sem que alguém me reconheça. Comer alguma coisa na rua.
Helena sorriu.
— Você sente falta de não ser Eduardo Monteiro?
Ele pensou por alguns segundos.
— Talvez.
A resposta a surpreendeu.
— Eu gosto de lugares assim — confessou Helena. — Onde ninguém sabe quem sou. Podemos simplesmente ser eu.
Eduardo a observou atentamente. Havia algo naquela ideia que parecia despertar nele uma sensação esquecida.
Então desviou o olhar para as luzes da cidade, era um cenário magnífico e um sentimento novo e ao mesmo tempo antigo surgiu. Liberdade.
Helena ficou alguns segundos olhando para ele. Eduardo parecia distante e mantinha um leve sorriso. Era um sorriso diferente de todos os que já havia visto.
*****
Após o jantar, quando alcançaram a rua, o carro já os aguardava diante do hotel. Assim que os viu, Nelson imediatamente abriu a porta para que entrassem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido