Os dois caminhavam pela calçada movimentada. Pessoas passavam por eles, uma apressadas outras apenas apreciando a noite, algumas desviavam discretamente o olhar para admirar o casal.
Embora caminhassem próximos, Eduardo mantinha as mãos nos bolsos da calça. Seu rosto estava sereno, e a brisa da noite tocava suavemente seus cabelos.
Helena, vez ou outra, olhava para o perfil dele. Aquele homem não parecia o Eduardo que conhecia.
Não havia ali a postura austera do grande empresário, nem o olhar frio e calculista que costumava intimidar executivos em uma sala de reuniões. Naquela noite, ele parecia simplesmente... um homem comum.
Eduardo também não estava indiferente à mulher que caminhava ao seu lado. Observava-a discretamente, o vento brincando com seus cabelos e aquele sorriso leve que surgia vez ou outra em seus lábios.
Eles caminhavam sem um destino definido quando chegaram às proximidades de um grande parque.
As árvores estavam contornadas por pequenas luzes, enquanto uma música tocava ao longe. Dezenas de pessoas circulavam entre barracas de comida, food trucks e pequenos quiosques improvisados. Crianças corriam pelo gramado, casais passeavam de mãos dadas e grupos de amigos ocupavam os bancos espalhados pelo local.
Eduardo diminuiu o passo.
— Você costuma vir aqui? — Perguntou ele
— Já faz algum tempo que não venho.
Ele olhou ao redor, genuinamente curioso.
— É estranho. Vejo esse parque da janela do meu escritório quase todos os dias, mas nunca estive aqui.
Helena virou-se para ele, surpresa.
— Está falando sério?
— Sim.
Ela sorriu.
— Então esta será sua primeira vez.
Eduardo ergueu uma sobrancelha.
— Primeira vez em quê?
Helena apontou para uma das barracas.
— Churros.
Eduardo acompanhou o gesto e franziu a testa.
— Churros?
— Você nunca comeu?
— Não.
Helena arregalou os olhos.
— Eduardo Monteiro nunca comeu churros?
— Não vejo motivo para tamanha indignação.
Ela soltou uma risada.
— Você está prestes a descobrir uma das melhores coisas da vida.
— Depois de um jantar em um restaurante três estrelas Michelin?
— Exatamente.
Sem lhe dar tempo para argumentar, Helena segurou sua mão e o puxou em direção à barraca. Eduardo olhou para as mãos unidas por um instante, mas não a soltou.
Poucos minutos depois, estavam sentados em um banco próximo, cada um segurando um churros ainda quente, recheado com doce de leite.
Eduardo examinou o doce por alguns segundos.
— O que foi? — Helena perguntou, divertindo-se.
— Estou tentando entender como você pode confiar tanto nisso.
— É um churros, Eduardo. Não um investimento milionário.
— Não sabemos como foi preparado.
Helena riu.
— É justamente por isso que é tão gostoso e que você precisa experimentar.
Ela deu uma mordida generosa e fechou os olhos por um instante, saboreando o doce como se tivesse acabado de reencontrar uma antiga lembrança.
— Está delicioso.
Eduardo observou a expressão de felicidade dela e, finalmente, levou o churros à boca e deu uma pequena mordida.
Mastigou devagar, avaliando o sabor com a mesma concentração que usaria para analisar um contrato.
Helena aguardou ansiosamente.
— E então?
Ele olhou para ela.
— É bom.

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