Do outro lado do salão…
Eduardo conversava com dois empresários, discutindo projeções e possibilidades futuras da fusão. Sua postura era firme, o tom controlado, a atenção aparentemente voltada à conversa.
Aparentemente. Porque seus olhos… não estavam ali, eles estavam em Helena e ele viu quando Henrique se aproximou e lhe ofereceu uma taça. Viu quando ela aceitou e a troca de palavras.
E, principalmente, viu o olhar de Henrique sobre ela. Algo dentro de Eduardo se contraiu, aquilo o incomodou.
— …como discutimos, os próximos passos exigem cautela — dizia um dos empresários.
— Claro — respondeu Eduardo automaticamente.
Mas sua mente não estava mais na conversa. Estava na forma como Henrique se inclinava levemente ao falar com Helena.
Aquilo não deveria incomodá-lo, não fazia sentido. Helena era apenas parte de um acordo e nada mais. Então por que…
Seus dedos apertaram levemente a taça em sua mão.
— Senhor Eduardo? — chamou um dos homens, percebendo a distração.
Ele piscou, voltando ao presente.
— Me desculpe — disse, retomando o controle. — Pode continuar.
Mas, ainda assim seus olhos voltaram para ela e dessa vez não saíram mais.
*****
Enquanto isso, Helena ainda conversava com Henrique, alheia ao olhar frio de Eduardo.
— Posso ser sincero? — disse Henrique, aproximando-se um pouco mais, o suficiente para baixar o tom de voz. — É difícil acreditar que alguém como você esteja… sozinha.
Helena soltou um pequeno suspiro.
— Eu não estou sozinha, meu marido é o anfitrião e precisa dar atenção aos convidados,
— Tecnicamente. — ele respondeu com um leve sorriso. — Mas isso não parece estar impedindo ninguém de te olhar como se estivesse.
Helena percebeu que ele havia dito a verdade, ela estava sozinha.
*****
Do outro lado do salão, Eduardo permaneceu onde estava, ainda só observando
Cada gesto. Cada inclinação de Henrique ao falar com Helena. Cada resposta dela, cada pequeno sorriso que surgia discreto.
Aquilo se prolongou mais do que deveria.
— …então alinhamos isso na próxima reunião — dizia um dos empresários.
— Claro — respondeu Eduardo automaticamente, já sem paciência.
Algo dentro dele se tensionava, crescendo de forma incômoda, insistente. Até que não deu mais.
— Com licença, senhores — interrompeu, sem esperar resposta. — Continuamos essa conversa depois.
Sem dar margem para questionamentos, virou-se e começou a caminhar com passos firmes, mas antes que pudesse atravessar metade do caminho, Viviane se colocou no caminho dele, como se tivesse calculado exatamente o momento de interceptá-lo. O sorriso nos lábios era provocador, mas os olhos… atentos demais.
Eduardo parou bruscamente e o maxilar travou.
— Saia do meu caminho, Viviane.
— Eduardo — ela inclinou levemente a cabeça, ignorando o tom dele. — Mal tivemos tempo de conversar.
Ele lançou um olhar impaciente na direção de Helena… ainda com Henrique. Aquilo só piorou.
— Não estou interessado em conversar.
Viviane acompanhou o olhar dele e um leve sorriso surgiu, dessa vez diferente e mais afiado.
— Ah… entendi — murmurou. — É por causa dela?
Eduardo não respondeu.
— Parece que ela está muito bem acompanhada. — continuou ela, cruzando os braços com falsa causalidade.

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