Logo após o discurso o jantar foi servido, tudo estava impecável, Murilo atento a cada detalhe. Nada passava despercebido a ele, inclusive a presença provocante de Viviane.
Quando ele começou a trabalhar diretamente com Eduardo, ela era presença constante ao lado de Eduardo, o casal perfeito, apesar da beleza, para Murilo ela era extravagante e artificial, diferente de Helena.
Assim que terminou o jantar era hora dos negócios. Homens circulavam entre grupos falando de negócios e as mulheres formavam seus próprios grupos.
Helena permaneceu sentada junto a Olivia, Gilberto havia saído da mesa com Eduardo. Só então Olivia olhou com um olhar cheio de compreensão.
— Não sei o que deu em Eduardo, minha querida. — Começou Olivia. — Ele não é assim.
— Senhora Olívia, eu aceitei esse casamento e sei muito bem que ele ainda não esqueceu Viviane.
Olívia se entristeceu, e o brilho em seus olhos se apagou por um instante. Helena percebeu a mudança imediata, talvez doloroso demais para ser exposto em meio àquela noite.
A curiosidade a invadiu. Quase perguntou o que havia acontecido entre Eduardo e Viviane… mas conteve-se. Aquele não era o momento.
Como se pudesse ler seus pensamentos, Olívia voltou o olhar para ela, desta vez com ternura… e uma leve sombra de compaixão.
— Helena… que tal, esta semana, você tirar um tempo para tomar chá comigo? Só nós duas. O que acha?
Helena sorriu suavemente. Talvez aquela fosse a oportunidade que precisava para entender melhor o passado de Eduardo.
— Será um prazer.
E era verdade. Helena gostava de Olívia. Havia algo acolhedor nela, um carinho genuíno que contrastava com a frieza constante de Eduardo.
— Ótimo, querida. Preciso cumprir meu papel social… e há algumas amigas que não vejo há tempos. Se importa se eu a deixar por um momento?
— Claro que não — respondeu Helena. — Eu também vou ao banheiro.
Olívia assentiu e se levantou, seguindo em direção a um grupo de senhoras que a receberam com entusiasmo e abraços calorosos.
Helena não quis permanecer sozinha à mesa. Levantou-se com elegância e tomou o caminho do banheiro, sem perceber que, ao fazer isso, atraía mais atenção do que imaginava.
Três olhares distintos a acompanharam.
Laura, sentada com algumas amigas, parecia pouco interessada na conversa superficial sobre viagens, joias e marcas de luxo. Seus olhos estavam atentos ao ambiente e, principalmente, às movimentações que realmente importavam.
Ela viu Helena se levantar, mas também percebeu algo mais.
Viviane cruzou o caminho de um homem alto, de traços marcantes. O encontro pareceu casual aos olhos desatentos, mas Laura notou a breve troca de palavras, o olhar cúmplice… e a forma como seguiram em direções opostas logo depois.
Aquilo não era coincidência.
Laura conhecia Viviane. E tinha motivos claros para não gostar dela. A antipatia vinha de longe e ela sabia do que ela era capaz e, principalmente, do quanto não se importava em quem pisaria para conseguir o que queria. Viviane não se importava com mais ninguém a não ser ela, mas sabia disfarçar bem esse lado, principalmente para os homens que caiam nos seus encantos.
Enquanto isso, Helena retornava do banheiro, tentando manter a serenidade que já começava a se desgastar.
Foi quando Laura percebeu que Viviane permaneceu ali por perto só para se encontrar com Helena, ela viu Viviane interceptou Helena, abrindo um sorriso lento, carregado de ironia e provocação.
Laura reconheceu aquele sorriso e, instintivamente, apertou a haste da taça com mais força.
Do outro lado, alheia ao olhar atento de Laura, Helena parou diante dela.
— Vejo que está se esforçando para me substituir… — disse Viviane, a voz suave, mas venenosa. — Até escolheu a minha cor favorita.

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