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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 54

O trajeto até a casa foi mergulhado em um silêncio. Helena manteve o olhar fixo pela janela, observando as luzes da cidade passarem rapidamente, como se aquilo pudesse distraí-la do turbilhão dentro dela. Ainda sentia o peso da noite, das palavras, dos olhares… de tudo.

Eduardo, ao lado, permanecia imóvel. A expressão fechada, não disse uma única palavra. Nem precisava. O silêncio entre eles dizia tudo e, ao mesmo tempo… nada.

Quando o carro finalmente parou em frente à casa, Helena não esperou. Antes mesmo que o motorista pudesse descer para abrir a porta, ela a abriu por conta própria e saiu, apressada, quase fugindo.

Eduardo a observou se afastar ainda dentro do carro.

Helena atravessou a entrada com passos rápidos, subiu as escadas praticamente correndo, o som dos saltos ecoando pelo ambiente silencioso da casa.

Assim que entrou no quarto, fechou a porta com força. Só então ela soltou o ar de seus pulmões de uma só vez. Sem pensar, levou as mãos ao vestido.

Aquele maldito vestido vermelho.

Puxou o tecido com pressa, arrancando-o do corpo, livrando-se dele como se queimasse. Em segundos, o vestido estava no chão.

Mas não foi suficiente.

A raiva ainda pulsava, misturada com dor, humilhação… e algo mais profundo, que ela já não conseguia controlar.

Seus olhos pousaram sobre a penteadeira, abriu as gavetas e encontrou uma tesoura. Helena a pegou com as mãos firmes, o peito subindo e descendo rapidamente.

E então com gesto brusco começou a cortar o tecido delicado, ao mesmo tempo que as lágrimas finalmente foram permitidas sair.

Cada corte carregava tudo o que ela não disse, tudo o que engoliu durante a noite. As palavras de Viviane. O desprezo de Eduardo. Os olhares. A sensação de ser apenas… parte de um contrato.

O vestido foi caindo aos pedaços aos seus pés, assim como ela se sentia por dentro.

Helena parou apenas quando já não restava quase nada inteiro. A respiração descompassada, as mãos levemente trêmulas, a tesoura ainda firme entre os dedos.

Olhou para o vestido destruído aos seus pés, assim como ela.

*****

Eduardo entrou na casa alguns segundos depois.

Os passos de Helena ainda ecoavam em sua mente apressados, descompassados, diferentes de tudo o que ela havia mostrado durante a noite. Ele segurava o paletó que Helena havia deixado sobre o banco do carro e passou a mão pelo rosto como se tentasse afastar o peso que começava a se acumular.

Subiu as escadas em direção ao seu quarto, mas, ao passar pelo corredor… algo o fez parar. Ouviu um som diferente vindo do quarto de Helena.

Ele franziu levemente a testa e ficou imóvel por um instante, atento.

E então ouviu nítido dessa vez. Era o som de algo sendo cortado por uma tesoura e um choro abafado.

Eduardo permaneceu parado diante da porta. A mão chegou a se mover levemente, como se fosse bater… Mas não bateu, ficou ali.

Algo dentro dele se apertou de forma incômoda. Aquilo não fazia parte do acordo,não fazia parte de nada que ele tivesse planejado.

Eduardo fechou os olhos por um breve instante, como se tentasse ignorar o que estava ouvindo. Como se bastasse se afastar para que deixasse de existir.

Mas não deixou. Quando abriu os olhos novamente, o olhar estava mais duro, mais fechado. Deu um passo para trás e depois outro. Seguiu pelo corredor, sem bater na porta ou dizer uma palavra.

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