O carro deslizava pela noite silenciosa. As luzes da cidade passavam rápidas pelas janelas, refletindo no vidro. No interior, reinava um silêncio pesado. Eduardo, com o semblante fechado, parecia distante, como se Helena sequer estivesse ao seu lado. Ela o observava em silêncio por alguns instantes, até que não conseguiu mais suportar aquela indiferença.
— Você sabia que ela estaria nesse jantar… não sabia? — a voz de Helena quebrou o silêncio. — Foi por isso que me levou como sua noiva?
Eduardo girou lentamente o rosto na direção dela, um sorriso seco e sarcástico surgindo em seus lábios.
— Exato. Muito perspicaz de sua parte.
O tom mordaz irritou Helena.
— O que aconteceu entre você e Viviane? — ela perguntou, encarando-o sem vacilar.
Os olhos de Eduardo se estreitaram, gélidos.
— Isso não lhe diz respeito.
Helena ergueu o queixo, decidida a não se intimidar.
— Claro que me diz respeito. Ou acha que eu devo aceitar ser apenas… a substituta dela?
As palavras cortaram o ar como lâminas. Eduardo apertou os dentes, e sua voz saiu baixa e pausada, carregada de frieza.
— Você não é uma substituta.
— Então o que eu sou? — retrucou, cruzando os braços, mantendo o olhar firme.
— Você é minha noiva… e futura senhora Monteiro.
Helena soltou uma risada breve, sem humor, cheia de incredulidade.
— Noiva e futura senhora Monteiro? Ou uma conveniência? — ela inclinou-se levemente para a frente, os olhos brilhando de indignação. — Eu não entendo. Eu vi como você olhou para ela durante toda a noite.
.Eduardo franziu o cenho, surpreso.
— O que exatamente você acha que viu?
Helena o fitou dentro dos olhos tentando captar algum sentimento além daquela frieza carregada.
— Você não estava indiferente a ela. O que aconteceu para vocês se separarem?
Por um instante, o semblante de Eduardo vacilou. Ele desviou o olhar, como se buscasse no vazio a força para manter a máscara.
— Você não sabe? — murmurou com um tom baixo, quase de lamento. — Então minha mãe não contou o que aconteceu?
— Não, não contou. — a voz de Helena quebrou-se apenas um pouco. — Poderia me dizer, Eduardo… pelo menos para que eu saiba em que estou me metendo.
O silêncio voltou a dominar o carro. Eduardo virou-se de volta para ela, mas seus olhos estavam novamente duros, impassíveis.
— Viviane ficou no passado. E não ouse mencioná-la entre nós de novo… ou teremos problemas.
— Mesmo que vamos nos casar apenas no papel, eu preciso saber. — Respondeu ela com certa ironia.
— Há assuntos que não lhe dizem respeito. Você não faz parte da minha vida e eu não farei parte da sua além do que está naquele contrato.
Helena sentiu um leve tremor com as palavras duras de Eduardo. Antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, o carro parou em frente a sua casa e o motorista rapidamente abriu a porta para ela.

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