Hope esperou horas no hospital.
Estava angustiada, nervosa e com medo, a bala havia acertado o peito de Dante e nenhum médico apareceu para dar a ela alguma notícia.
Ela ligou para Giovanni explicando tudo o que aconteceu até aquele momento.
- Logo acabará a cirurgia, quando tiver notícias, volte para cá. Estamos te esperando.
- E como ela está? - perguntou ela com um tom de voz irritado.
- Amarrada e amordaçada. Tentou me convencer que deveríamos reatar o nosso caso.
- Que vagabunda… mantenha ela assim, logo eu estarei aí.
- Sem problemas, ela é todinha sua, está à sua espera.
- Obrigada Gio
Desligou o telefone logo que avistou o médico vindo em sua direção.
- Hope é você que está com o rapaz baleado? Giovanni me avisou.
- Sim, sou eu doutor. Como ele está?
- Foi complicado, a bala quase atingiu o coração, mas conseguimos parar o sangramento e retirar o projétil.
- Isso é ótimo, quando posso vê-lo?
- Logo, mas, aquele calibre é o mesmo da sua arma. O que você fez?
- Não fui eu, e sim era a minha arma, uma louca do meu passado esquecido apareceu e pegou a minha arma.
- Preciso me preparar para receber mais alguém baleado?
- Não, ela não vai sobreviver…
- Diga ao Giovanni que ligarei.
- Aviso. Muito obrigado, doutor. Eu volto ao amanhecer para vê-lo.
Hope saiu do hospital e foi para o velho galpão onde Giovanni aguardava com Ellie.
Dirigiu apressadamente em seu masserati vermelho cereja, com raiva, tamborilando o volante com a ponta dos dedos. Agora que finalmente ela sabia do seu passado, e estava se resolvendo com Dante, Ellie apareceu e quase o matou.
No centro do velho galpão mofado e úmido, abaixo de uma luz forte, Ellie estava amarrada a uma cadeira de metal, as mãos atadas nas costas com corda grossa e os tornozelos presos às pernas da cadeira. Um pedaço de pano sujo enfiado na boca abafava seus gemidos, seus olhos arregalados fixos na figura que acabara de entrar.
Os cabelos coloridos de Hope, estavam bagunçados e esvoaçantes, rosto vermelho de raiva. Suas roupas, estavam manchadas do sangue de Dante.
Giovanni estava sentado relaxado em uma cadeira mais afastada, na penumbra, fumava um charuto enquanto observava Ellie se debater na cadeira.
- Cheguei grandão, o Dante está fora de risco agora.- disse ela pousando a mão no ombro dele.
Isso é bom, amanhã eu irei lá.
- O doutor disse que vai te ligar.
- Certo.
Ambos estavam parados olhando para a mulher à sua frente. Hope sentia seus batimentos acelerados, a raiva estava explodindo dentro dela e sua mão coçava para começar com Ellie.
- Ela é toda sua, vai lá. Aproveita.
- Não quero mata-la tão rápido.
- Não precisa, respira… aproveite o momento, faça por hoje e por seis anos atrás. - Giovanni dava leves tapinhas na mão de Hope que estava em seu ombro.
Hope caminhou devagar até Ellie, os passos pesados ecoando. Parou bem à sua frente, inclinou-se e, com um movimento quase terno, retirou a mordaça da boca da outra garota. O silêncio que se seguiu foi denso, quase palpável, quebrado apenas pela respiração ofegante de Ellie.
- Você não devia ter tentado me matar - disse Hope, com uma voz baixa, calma… mas sem calor algum.
Ellie engoliu em seco, os olhos marejados, mas fingia estar firme e convicta.
- Ivy… por favor… não finja que você fará alguma coisa. Você não mata nem uma barata!
Hope deu um sorriso torto, quase infantil, mas vazio.
- Sabe Ellie… há seis anos eu não sou mais Ivy, por sua causa, ela morreu.
Ela se virou, foi até a sua bolsa e tirou uma faca de caça. Segurou-o contra a luz fraca que vinha de uma janela quebrada.
- E também graças a você, eu renasci, e hoje eu Hope Bórgia, vou fazer com você o que jamais imaginou que Ivy faria.
Voltou-se para Ellie, os olhos brilhando com uma excitação perturbadora.
- Você deveria ter feito direito e me matado de verdade!


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