Domenico apareceu no hospital sozinho, queria entender o que tinha acontecido antes de avisar o restante da família.
Logo avistou Ivy sentada sozinha no banco ao fim do corredor. Domenico se aproximou sem fazer barulho, despertando Ivy de seus pensamentos ao tocar em seu ombro
- Cunhada, cheguei, você pode me explicar agora o que aconteceu?
Ivy levantou a cabeça olhando para o cunhado que estava em pé a sua frente. Inalou profundamente deixando o cheiro de álcool, éter e medicamentos invadirem os seus pulmões.
E calmamente ela começou a explicar os acontecimentos desde o recebimento do pacote até a briga entre pai e filho.
- Depois que a briga se encerrou e eu consegui afastar o seu pai, ele reclamou de dor no peito e falta de ar, achei melhor trazê- lo para o hospital diretamente.
- Fez muito bem.
Domenico se sentou ao lado de Ivy, apoiando as costas no encosto do banco, tentando absorver toda a informação que a cunhada havia transmitido.
- Eu nem sei o que te dizer… nunca imaginei que a amante seria a sua prima. Foi muito cinismo e descaramento do meu irmão.
- O pior foi ele negar até o último momento. Eu me sinto tão idiota.
- Não se sinta assim, você não é a culpada, você ama meu irmão, e o seu sentimento te deixou vulnerável às ações dele.
- Eu quero me divorciar dele. Assim que eu chegar em casa eu vou procurar um advogado. Não quero nada, até porque o que sempre quis do Dante ele não pode me dar, que é o amor.
- Não faça isso, você tem direito de ficar com muitas coisas. Não é justo.
Ivy deu um sorriso de canto, sem graça, se lembrou do banco e apoiou com uma mão no ombro de Domenico dando leves tapinhas.
- Nada foi justo até agora, um casamento sem amor, uma convivência forçada, nada disso foi bom. O melhor que posso fazer agora é me afastar, ficar próximo agora só fará mal para mim e para ele também.
Ela deu um beijo na bochecha de Domenico e saiu, na porta do hospital estava Carlos esperando por ela.
Ela entrou no carro e fechou os olhos, queria por alguns momentos, esquecer tudo o que aconteceu.
Em pouco tempo Ivy já estava em casa, subiu as escadas e foi direto para o quarto. As roupas organizadas anteriormente, agora estavam sendo colocadas em malas.
Quanto mais ela tentava se controlar, mais descontroladas as lágrimas escorriam de seus olhos.
Ao fim da tarde, tudo já estava nas malas e Ivy estava pronta para sair. No momento em que Ivy fechava a porta do quarto, Dante chegou, vendo as malas sendo carregadas pelos empregados, sentiu uma descarga de adrenalina em seu corpo.
- Ivy!! - ele gritava da sala - cadê você? Ivy!
- Porque está gritando? Não sou surda.
Ela apareceu no topo da escada, com um vestido solto preto, cabelos soltos e uma bolsa a tiracolo.
Seu rosto estava limpo, sem nenhum rastro de maquiagem, estava vermelho e inchado de tanto chorar, mas nada disso interferia em sua fisionomia sem emoção.
- Que malas são estas? O que você está fazendo? - suas palavras estavam aceleradas, e sua voz estava alterada.
- Estou indo embora, agora que todos já sabem do seu romance com a Ellie, não há mais motivo para continuarmos juntos.
- Agora é tarde, eu só quero apagar você da minha vida, adeus Dante.
Ivy saiu da casa, deixando Dante sozinho na sala. Apesar da dor em seu peito por anos de amor não correspondido, ela se sentia aliviada por deixar tudo para trás.
Não voltaria para a casa do pai, não queria envolvê-lo em mais problemas, queria ficar só e já tinha sua viagem marcada.
Carlos a levou para o hotel que ela pediu, ela ficaria ali por três dias até poder sair do país.
Conversou com o advogado, acertou o divórcio e pediu para que nada fosse reivindicado, ela não queria nada de Dante. Abria mão de todos os seus direitos.
No fim da tarde, ligou para seu pai e explicou sobre a separação, não contou que a amante era Ellie e também não deu detalhes. Pediu para ele não ficar preocupado que ela iria morar fora, mas logo voltaria para vê-lo.
Mesmo que a contragosto, Pedro ouviu e aceitou as decisões de sua filha, após muitas tentativas de fazer Ivy voltar para sua casa.
- Pai, eu não vou voltar para sua casa, eu estou bem aqui, não se preocupe, quando eu chegar na Europa te passarei meu novo endereço.
- Está bem filha, você está decidida, não vou mais insistir. Tomei cuidado, me ligue sempre e qualquer coisa que precisar me peça. Você é tudo que eu tenho, não posso viver sem você.
- Te amo pai, fica tranquilo, logo nos veremos na Europa.
- Te amo filha.
Ela desligou o telefone, com o sentimento de missão cumprida, nada mais a prendia onde estava.
Colocaria a sua vida e seus gostos em primeiro lugar, tiraria de seu coração o amor por Dante e apagaria ele de sua mente e vida.

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