E durante tudo isso, o jantar e as conversas, Dante sentia em seu peito uma sensação estranha, um conforto e ao mesmo tempo uma esperança.
Não conseguia entender o porquê do sentimento, talvez por Giovanni já ser um conhecido ou por estar em uma terra que ele já esteve. Mas era algo que lhe reconfortava.
Ao fim da noite se despediram e cada um seguiu para o seu lado, iriam se encontrar no dia seguinte em frente ao hotel para seguir ao novo empreendimento.
Dante entrou em seu quarto, tomou mais um banho, colocou apenas uma calça de moletom e se deitou, no criado mudo ao seu lado, ele colocou um porta retrato com a foto de Ivy que ele carregava sempre que viajava.
E como todas as noites conversou com Ivy antes de dormir. Lhe contou como foi o dia e a surpresa de encontrar Giovanni depois de seis anos.
O cansaço se abateu, e ele dormiu, mais uma vez sonhou com Ivy, feliz, sorrindo para ele.
Antes do dia amanhecer, Dante já estava de pé, pronto para seu treino diário, o hotel possuía uma academia completa, facilitando o seu hábito.
Depois de treinar, tomou banho, café da manhã e se encontrou com Giovanni na hora marcada.
O novo empreendimento em que iria trabalhar era realmente grande e detalhado, seu trabalho seria demorado, depois tiveram reunião com toda a equipe que iria trabalhar com Dante.
No fim do dia, todo o planejamento estava montado, o cronograma para o trabalho era de oito meses. Dante nunca ficou tanto tempo fora de casa, mas desta vez ele estava feliz por estar ali.
A primeira semana se passou tranquilamente, sem fugir da rotina, Dante agia como um relógio suíço. Treino, café, trabalho, hotel.
No fim da segunda semana Giovanni convidou Dante para ir um uma de suas boates, ele não aceitou, achava que era inapropriado o passeio, para uma viagem de trabalho.
- Vamos la, nem só de trabalho vive o homem, você precisa se distrair um pouco.
- Não sei Giovanni, ainda não estou confortável em sair a noite.
- Sua esposa faleceu há seis anos, já está na hora de você tocar o barco. Não beber ok, afinal é a sua saúde, mas cara! Quando foi a última vez que você transou?
Giovanni fez uma pergunta retórica, não imaginava que Dante responderia com tanta sinceridade.
- Seis anos
- O que?
- Faz seis anos que não transo.
- Você fez voto de castidade a sua esposa falecida?
Dante riu das palavras de Giovanni, que saiam de sua boca em tom de brincadeira.
- Não cara, só não me sinto bem. Sei lá, depois de tudo que aconteceu, minha traição com a Ellie… eu não consigo mais. É como se as mulheres tivessem perdido a graça para mim.
- Você algum dia falou para ela que a amava?
- Não.
- Você sabe que isso que você tem aí dentro do seu peito é amor?
- Infelizmente, descobri depois de muito tempo, ela já estava morta e eu nunca disse a ela os meus sentimentos.
- Como você conheceu ela? Qual era o nome dela?
Se despediram e se separaram, mais um dia se encerrou, Dante havia aberto seu coração para Giovanni fazendo confissões já mais ditas antes. Giovanni estava se sentindo cada vez mais próximo de Dante, e desejava que essa aproximação se tornasse uma amizade verdadeira.
O pouco que conviveu com Ellie, percebeu que ela era do tipo que gostava de luxo e ostentação e era evidente que Dante não era de acordo com isso.
Giovanni sentia uma vontade de saber mais sobre Ivy e o relacionamento entre os três. Pretendia tirar de Dante o luto carregado por seis longos anos.
Sem a companhia de Dante, Giovanni foi para a boate que queria levar o amigo.
Chegando no local, observou tudo ao redor, a casa estava cheia, música alta, muito jovens dançando.
- Oi grandão! Demorou hoje, onde estava?
- Oi fadinha, estava trabalhando, sabe que sou um homem ocupado.
- Ahh corta essa! Já é tarde, sei que não tava trabalhando até agora. Alguma gazela na rodada?
- Hahaha, não, apenas um amigo perdido. Sem garotas.
- Amigo? Quem? - os olhos castanhos brilhavam de curiosidade.
- Deixa de ser curiosa garota, porque não está no palco?
- Hoje estou só olhando, não estou na vibe.
Giovanni olhou para a garota e a abraçou carinhosamente, ambos ficaram ali olhando o movimento pelo fim da noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: QUANDO TE PERDI