Dante olhava para Hope tentando entender, como alguém que antes queria tanto um filho, agora falava de forma tão sutil a perda de seu primogênito.
Sim, ela tinha razão em acreditar que era melhor assim, sem memória, sem filhos. Mas para ele, esta revelação estava sendo tão dolorosa quanto foi os últimos seis anos.
- Sim, você tem razão, você ainda é jovem.
- E você também…
- Não acredito em um segundo casamento - ele falou antes dela terminar de falar. - Não acho que seja possível.
- E se você encontrar uma mulher que você goste de verdade? Ainda ficará preso à sua falecida esposa?
O rosto dela brilhava de excitação, ela queria ouvir dele que havia uma chance.
- Não sei te responder, não é fácil viver tudo o que vivi e continuar sabendo que fiz ela sofrer.
- Dante, você precisa viver!
- Eu sei, só preciso de um tempo.
- Você já teve seis anos, é muito tempo! - sua voz era carregada de urgência.
Dante riu das palavras dela, ele estava com saudades de sua voz, seu cheiro e do seu toque. Apesar de seus cachos não estarem em seu tom natural, o colorido também ficou lindo.
Seu instinto queria que ele a beijasse ali, mas sua razão mantinha distância por precaução.
Ele precisava achar uma forma de contar a ela sobre o passado, sem que ela recusasse ele.
O pedido dos dois foi entregue na mesa, ele olhou para o pedido dela e riu mais uma vez lembrando que a Ivy nunca pediria aquela quiche.
Queria saber mais sobre ela, sobre seus gostos e atuais manias.
- Além dessa quiche, o que mais você gosta?
- Gosto de carne, de todos os tipos, gosto de massas e frutas. Cores acho que já percebeu que sou um arco-íris ambulante hahaha. - ria de si mesma de forma encantadora aos olhos dele - flores eu amo lírios, de todos os tipos, são delicados e românticos.
De tudo que mudou em seus gostos, as flores se mantinham as mesmas. Um ponto em que deixou Dante confortável.
- E você? Não parece ser uma pessoa muito exigente.
- Eu já fui, aprendi a ser melhor e menos exigente. Aprendi a ser mais paciente e menos intransigente. Então… eu gosto de quase tudo de comida, não fumo, não bebo mais, apesar de ontem eu ter acabado com uma garrafa sem nem ter percebido.
- Você ficou muito nervoso ontem.
- Sim, ver você sendo atacada por aquele homem me tirou todos os controles.
- Fica tranquilo, aquilo foi algo totalmente fora de controle. Ele me pegou desprevenida.
Por um impulso ele passou a mão em seus cabelos delicadamente para não estragar os cachos, colocou uma mecha atrás da orelha e deu um beijo em sua testa.
- Eu ficaria muito mal em saber que algo ruim aconteceu com você novamente.
- Novamente?
- Depois do seu acidente.
- Ah...
Ela ficou meio confusa com as palavras dele, mas continuou perguntando sobre sua intimidade. Estava eufórica e queria saber sobre tudo, e ele falava com sinceridade, queria que ela o conhecesse sabendo de tudo o que já passou.
A tarde passou rapidamente para os dois que estavam distraídos entre suas preferências.
Estavam os dois conversando, como nunca fizeram antes, descontraídos, Hope falava sobre sonhos, vontades, medos. Dante a ouvia com atenção, observando cada movimento dela. Sem perceber ele sorria, sorria por estar com ela como sonhou por anos.
- Dante me fala o seu @ no I*******m?
- Não tenho perfil.
- O que? como assim não?
- Não tenho, simplesmente.
- Mas você se importa se eu postar uma foto sua? - seu olhar parecia de um gatinho suplicante, fazendo o coração dele bater descompassado.
- Desde que não cause problemas com o Giovanni.
Ela entrou em seu carro e acelerou, sumindo pelo bairro a frente, Dante ficou observando até que não podia mais ve-la.
A tarde havia sido adorável, e agora ele sabia muito mais sobre a nova personalidade dela.
Quando chegou ao hotel, percebeu que seu celular tinha várias ligações perdidas de Maura.
Claro, eles se falavam todas as semanas e este domingo não poderia ser diferente, mas estava tão feliz que queria aproveitar um pouco o sentimento antes de ligar para a governanta.
Tomou banho, colocou seu pijama, se acomodou na cama e quando ia ligar para Maura, Hope enviou a foto dos dois com a legenda:
Que este seja o primeiro de muitos!
Ele sorria para a foto, seu peito estava aquecido com toda a felicidade que carregava. A foto havia ficado linda e claro que ele iria imprimir e colocar ao lado da anterior.
E olhando para a tela, o nome de Maura voltou a piscar.
- Alo, Dante, você está bem?
- Oi, sim estou.
- Te liguei o dia todo fiquei preocupada.
- Desculpa, eu estava em um encontro.
- Com quem?
- Com a Ivy.
- Dante por favor, não brinca com isso.
- Vou te mandar a foto de hoje e você pode tirar suas conclusões.
Quando Maura viu a foto, ficou sem reação, não sabia o que falar ou pensar. Não era alucinação de Dante, Ivy estava realmente viva.
Então ela também ficou curiosa com o reencontro dos dois depois de tantos anos separados. Começou a perguntar como se encontraram, o que ela fazia agora, como ela estava. Várias perguntas foram disparadas para ele responder.
Maura estava muito feliz com Ivy viva.

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