Cerca de uma hora depois, Hope chegou ao hotel e subiu direto para o quarto de Dante.
Parou por um instante na porta do quarto respirando fundo, segurando firme na alça de sua bolsa.
Bateu duas vezes e Dante abriu. Ele a olhou de cima a baixo e percebeu de imediato que ela não estava em seus melhores momentos.
- Isso é estranho, você é a garota arco íris, te ver de preto não é normal.
- Posso entrar?
- Claro…
Ele saiu da frente dando espaço para ela passar, fechando a porta logo em seguida.
- Você está triste Hope?
- Por que eu não estaria? Você escondeu a verdade de mim…
- Eu queria te contar desde quando te encontrei no aniversário do Giovanni, mas eu não sabia até onde você lembrava. Por isso aceitei te encontrar no café.
- Poderia ter me contado naquele dia!
Com delicadeza ele pegou as mãos dela que estavam geladas. A acompanhou até o sofá e a sentou devagar.
Se ajoelhou à sua frente em forma de rendição e com a voz baixa e tranquila começou a explicar para ela.
- Sim eu poderia ter te contado, mas de que adiantaria te contar algo se nós dois nunca mais nos víssemos? Estamos juntos agora, mas poderia não ter dado certo.
- Isso é egoísmo Dante. Você deve contar a verdade mesmo que seja doloroso. Pensei que já tinha aprendido isso - Seu olhar e palavras eram duras, ela não queria mostrar fraqueza para Dante.
- Você tem uma vida feliz, faz o que gosta, do jeito que quer, se tornou uma mulher livre, sem amarras da sociedade ou da minha família. Por que eu estragaria isso? Sim você merece a verdade, mas não fazia sentido estragar a sua felicidade.
- Então me conta… qual a verdade?
Dante se levantou e foi até a sua mala, pegou o porta retrato e a pasta de couro que havia montado e entregou na mão de Hope.
- Aqui nesta pasta está a nossa vida, eventos, festas, reuniões, cartas que você escreveu para mim, fotos, certidões. Eu sei que você não vai lembrar, mas quero que você veja o que aconteceu no passado.
- E esse porta retrato?
- Essa foto foi do nosso casamento. O dia que você realizou seu sonho, estava tão feliz. - olhando a foto ele deu uma pausa para respirar fundo - Depois que eu soube da sua morte a forma que me sentia um pouco mais próximo de você era assim. Sempre carreguei comigo para onde eu ia.
- Sinceramente, eu não consigo entender. Você amava a Ellie, me traiu e andava com a minha foto para cima e para baixo?
- Não peço para que me entenda, só quero que me ouça. Eu era um garoto aos 24 anos. Um mimadinho de merda que não sabia de nada e achava que sabia de tudo. Eu achava que amava a Ellie quando na verdade era só luxúria. Eu não soube valorizar o que tinha em mãos e muito menos soube cuidar da mulher que me amava de verdade.
- Seria justo, já eu estraçalhei o seu coração te traindo. Se isso te fizesse sentir vingada, faça. Você não entendeu quando eu disse que sou todo seu ontem a noite?
Hope se afastou, quebrando o abraço, ele estava dando a oportunidade dela exorcizar seus demônios e ela queria fazer isso.
- Hope…
- Cala a boca Dante!
- Me ouve…
Ela não ouviu, não queria, apenas virou rapidamente acertando um soco em seu peito que o fez cambalear. Quando caiu ela deu mais dois socos nele, em seu lindo rosto, fazendo seu lábio sangrar.
- Eu disse para se afastar! Eu fui treinada para acabar com meus rivais Dante. - sua mão estava no pescoço dele apertando, deixando a marca de seus dedos na pele alva de Dante.
- Eu sei, Giovanni me contou. Se é isso que quer, acabe logo. Eu não irei tentar te parar. Me perdoa Ivy!
Ela deu mais um soco e saiu de cima dele, pegou a pasta e a bolsa e saiu correndo batendo a porta atrás.
Dante continuou no chão, olhando o teto.
Tentava respirar novamente após o aperto de Hope. Seu rosto era uma mistura de sangue e lágrimas em seu peito, o medo de perder novamente a mulher de sua vida.

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