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Querido ex, obrigada pela traição romance Capítulo 2

O interior da casa de Eduardo Hastings cheirava a serragem, café e algo vagamente cítrico, como se alguém tivesse feito uma limpeza em sua homenagem.

Jinx ajustou o aperto na mala e o seguiu, tentando não tropeçar no capacho irregular que ela definitivamente havia provocado ele dois Natais atrás.

— O quarto de hóspedes é por ali. Lado direito. — ele disse sem se virar.

— Eu lembro. — Afinal ele tinha dito isso um minuto atrás.

Eduardo não fez nenhum comentário, apenas a guiou pela casa silenciosa com painéis de madeira como se estivesse guiando um estranho, não alguém que um dia ajudou a decorar o lugar com teias de aranha falsas e uma abóbora brilhante de verdade.

— Os banheiros ficam do outro lado do corredor. — acrescentou. — As toalhas estão no armário. — Eduardo entrou no quarto de hóspedes e acenou com a cabeça em direção à cama. — Os lençóis estão limpos. O armário está vazio. Tem um cesto de roupa suja no canto, se você...

— Lavar roupa como um adulto responsável? — ela interrompeu. — Chocante, eu sei.

Ele não respondeu, apenas voltou para o corredor com a sua rudeza habitual.

Para Eduardo era mais fácil não dizer nada. Mais seguro também.

Jinx empurrou a mala para dentro do quarto, tinha uma cama simples, lençóis cinza macios e um abajur de leitura que era definitivamente mais novo do que o que ela se lembrava. O espaço estava limpo. Habitável. Silencioso.

Era seguro. O que era estranho, considerando que nada mais em sua vida parecia assim ultimamente. Nem seu apartamento. Nem a corda bamba do seu trabalho. Nem a parte dela que ainda não sabia o que viria a seguir.

Ela deixou a mochila na cama, sentou-se ao lado dela e soltou um suspiro que não sabia que estava prendendo.

— Quer ajuda para desempacotar? — veio a voz de Eduardo do corredor.

Ela piscou. Aquilo pareceu quase... atencioso.

— Não. — disse ela, apoiando-se nos cotovelos. — Aí eu teria que te explicar coisas como por que trouxe quatro pares de saltos.

Ele bufou.

— Então, nada mudou.

— Ah, você me conhece.

Ele foi embora.

Ela não o viu por um tempo depois disso, apenas o rangido ocasional do assoalho, o barulho das ferramentas, o zumbido baixo do rock clássico vindo da garagem. Era só Eduardo em seu habitat natural.

Jinx estava na cama de hóspedes, mexendo na alça da sua mala de viagem, e tentou se concentrar em qualquer coisa, exceto no fato de que ainda conseguia sentir o cheiro do sabonete dele no corredor.

"Não seja estranha". disse ela a si mesma. "Você está só passando um tempo aqui. Está tudo bem. Você está bem."

Mas é claro que sua mente a traiu.

UM MÊS ATRÁS...

Estava quente demais para sopa, mas Luana Hastings a serviu mesmo assim, porque a tradição não se importava com o tempo. A família inteira estava reunida em volta da longa mesa do quintal.

Jinx tinha acabado de se sentar ao lado de Katherine quando viu Eduardo, com uma camiseta azul-marinho surrada, sentado sob a sombra de uma árvore com a bebê Alisson aninhada no colo.

Ele estava sorrindo. Não apenas um sorriso educado. Um sorriso sincero, aberto, de olhos doces e alegres.

Ela nem sabia que ele podia sorrir daquele jeito.

Alisson fez um barulho, e Eduardo a balançou gentilmente, murmurando algo que ela não conseguiu ouvir.

Sentado ao seu lado na mesa, Jason percebeu que Jinx estava olhando fixamente para o irmão.

— Perigoso, hein? — disse ele com a boca cheia de salada de repolho.

— O quê?

— Esse olhar. Parece que está com vontade de dar a ele um filho.

Jinx deu-lhe uma forte cotovelada nas costelas.

Phillip se juntou a eles com um refrigerante.

— Semana passada ela espirrou, e o Eduardo agiu como se fosse uma situação DEFCON 1. Pesquisou sintomas de gripe infantil no G****e por vinte minutos.

Jason sorriu.

— A próxima coisa que sabemos é que ele vai estar tricotando botinhas.

— Eu pagaria para ver isso. — murmurou Jinx, mas seus olhos não deixaram Eduardo.

Ele não estava falando com ninguém. Apenas segurando aquela bebê como se ela fosse frágil e perfeita, e o mundo inteiro dele naquela tarde.

E, caramba, o coração dela fez algo que não fazia há algum tempo.

FIM DO FLASHBACK...

Eles comeram em um silêncio que não era desconfortável. Apenas... quieto.

Em dado momento, seus cotovelos se chocaram. Nenhum dos dois se afastou.

Ele percebeu. É claro que ele percebeu. E já que ela não se afastou, ele também não. Fingir que essas aproximações não significavam nada era a única coisa que o mantinha são.

— Você não precisava cozinhar. — disse ela por fim, após uma mordida que a fez gemer de satisfação. — Sério. Os Hastings são os melhores cozinheiros que eu conheço.

— Imaginei que você estaria com fome.

Ela piscou para o prato e então ousou olhar para cima.

Ele já estava olhando.

Jinx colocou uma mecha solta de cabelo atrás da orelha, suas bochechas esquentaram sem motivo algum.

Depois que terminaram de comer, ela se levantou para ajudar com a louça, e ele não a impediu. Eles se moviam com facilidade, passando a louça um para o outro, batendo os quadris, trocando comentários sobre as canecas tragicamente lascadas dele.

E assim que ela pegou o pano de prato, algo chamou sua atenção na geladeira.

Uma foto minúscula que ela havia tirado. Torta, meio escondida sob um ímã em forma de chave inglesa.

Era daquele almoço na casa de Luana e Phineas, Eduardo sentado debaixo da árvore, segurando Alisson.

— Você guardou isso?

Eduardo olhou de relance e deu de ombros, como se não fosse grande coisa.

— Jason imprimiu um monte. Disse que precisávamos de mais "energia familiar" na loja.

— Mas você colocou aqui. — ali não era a loja, era a casa dele.

Eduardo não respondeu.

Não pretendia guardar a foto ali. Mas cada vez que passava por ela, algo nele se acalmava.

Jinx olhou para a foto por mais um segundo e então silenciosamente voltou-se para a pia. Ela não disse mais nada. Apenas secou as mãos, murmurou um boa noite e subiu as escadas.

Eduardo ficou encostado no balcão, com os braços cruzados e os olhos voltados para a foto na geladeira, se perguntando se deveria mudar a foto de lugar, mas talvez isso parecesse mais estranho ainda. O que deveria fazer?

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