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Recomeço romance Capítulo 3

Ele é um amor. Pergunto-me o que dá na cabeça de uma mulher pra deixar alguém tão doce, inteligente e extremamente gostoso como esse. Acho que agora sei exatamente como ele era quando estava com ela. E pensar que eu não sou a primeira a quem o Nick amou me dói. Eu sei que é loucura e que eu não deveria, mas não consigo evitar o pensamento ruim de saber que tudo o que ele faz por mim, ele aprendeu fazendo por outra mulher.

— Tudo o que eu quero que faça por mim agora é me levar até essa piscina maravilhosa e me deixar segurar em seu pescoço enquanto flutuamos na água.

— Eu não acho que seja uma boa ideia, Ellen. — de repente ele volta a ficar sério.

— Tudo bem, Nick. Eu confio em você.

Com olhos pidões eu consigo convencê-lo a nadar um pouco comigo. Sorrindo ele tira a camisa sobre a cabeça de uma forma que sempre gostei de ver. Depois tira o calção e ficou apenas em sua boxer. Eu o imito e tiro a blusa e o sutiã. Meu shortinho eu deixo que ele tire. Eu gostaria de estar sentindo suas mãos nas minhas coxas enquanto ele me toca pra terminar de tirar a minha roupa.

— Sinto falta das suas mãos no meu corpo. — digo baixinho. Ele encosta a testa no meu joelho e vejo a sua respiração acelerar.

— Sua pele ficou mais branca durante esse tempo que você esteve longe do sol. — vejo quando ele beija minas pernas.

Estou só de calcinha agora. Ele está mais uma vez de joelhos e olhando para o meu corpo quase todo nu. Ele traça os dedos pelas minhas pernas e eu não sinto, é claro. Quando chega aos meus quadris, eu já consigo sentir um pouco. E na cintura eu o sinto normalmente.

— Nick...

— Quer mesmo ir nadar? — ele me olha nos olhos.

— Quero estar perto de você.

Com isso ele me pega nos braços e nos leva para a piscina. Com a água no seu peito, ele me escora em uma das laterais enquanto eu o abraço.

Deixo o meu nariz na curva do seu pescoço sentindo seu cheiro. Ele beija o meu. Depois beija minha clavícula e eu mordo sua orelha.

— Eu te amo, Ellen.

— Eu sei. — beijo seu queixo — Eu sei que sim.

Ele afasta o rosto para me olhar e eu vejo a dor em seus olhos. Meu amor está sofrendo. Seus lindos olhos estão cheios de lágrimas não derramadas.

De repente eu sei o porquê da sua culpa. Ele está revivendo um trauma de cinco anos atrás. Não sei se me agrada o fato de ele estar comparando a minha situação com a situação que ele viveu naquela época.

— Não pense nisso, Nick. — digo afagando seus cabelos e o pouco de barba que há em seu rosto.

— Não pensar em quê?

— O que aconteceu comigo há duas semanas não tem nada a ver com o que aconteceu com a Ada há cinco anos.

Ele fecha os olhos com o rosto contorcido e nesse momento eu sei que era exatamente isso que o estava consumindo.

— Não foi culpa sua há cinco anos. Não foi culpa sua há duas semanas.

— Me desculpa, Ellen. Eu não quero que você ache que eu estou comparando você à Ada, mas é que eu não consigo me livrar desse sentimento.

— Que sentimento? O de culpa?

— Eu deveria estar com você.

— Se você estivesse comigo, estaria na mesma situação que eu agora. Ou pior, talvez estivesse morto.

— Eu sou o seu namorado. Eu deveria te proteger.

— De um caminhão? — pergunto com diversão — Só se você fosse Clark Kent. E até ele às vezes não podia fazer nada pra proteger as pessoas que amava.

Ele abaixa a cabeça no meu ombro. Está chorando. Meu pobre Nick está chorando.

— Shhh. — eu o abraço — Calma meu amor, não chora.

— Ainda está doendo, Ellen.

— Eu sei Nick, eu sei. Calma.

— Você quase morreu. Eu... eu fiquei com tanto medo.

— Eu sei. Eu sei.

— Eu não sei o que eu faria da minha vida se eu tivesse perdido você. Eu não... eu... — ele diz entre os soluços.

— Mas você não perdeu. — beijo sua testa — Eu estou aqui. — seus olhos — Eu sempre estarei aqui. — sua boca.

— E ainda por cima...

Nick afunda de novo a cabeça no meu pescoço e continua chorando. Sinto seus braços me abraçando com muita força. Está doendo em mim agora. Sua dor me machuca.

Mas e ainda por cima o quê?

— Nick existe mais alguma coisa que você ainda não me contou?

Ele não pode estar arrasado desse jeito só por causa da cirurgia. Só por causa do acidente. Tem que ter mais alguma coisa. Eu nunca o vi assim.

Ele seca as lágrimas passando os olhos nos ombros. Abre a boca umas duas vezes, mas não fala nada.

— Nick, o que houve?

— Nada. É que... Você só tem dezenove anos Ellen.

— E?

— E... Você não deveria estar passando por isso. Você é tão jovem pra já ter enfrentado tantas coisas ruins e agora isso.

— E quem disse que coisas ruins só acontecem com os mais velhos? Veja você, por exemplo, só tinha dezoito anos quando enfrentou a pior barra da sua vida.

— Sim. E veja o que aconteceu comigo. Eu mudei. A dor me mudou e eu tenho medo de que de alguma forma, ela acabe mudando você também.

Eu o beijo. O beijo sentindo o gosto salgado das suas lágrimas.

— Não se preocupe comigo Nick. Eu estou bem.

— Muitas coisas vão mudar na minha vida, Nick. — digo de cabeça baixa — E eu não quero que a nossa vida pessoal e íntima seja uma dessas coisas.

Ele reluta.

Poucas vezes desde que nos conhecemos eu me senti insegura em relação ao desejo sexual do Nick por mim, mas admito que a atitude dele há uma semana vem me deixando preocupada.

— Por favor. — peço — Promete que a nossa vida não vai mudar.

Ele concorda e mais uma vez sinto sua dúvida.

— Então para de me beijar como se eu fosse sua prima e me beija como a sua mulher.

E então agora sim. Eu vejo a malícia em seus olhos. Adoro o jeito como ele me olha com amor e desejo em medidas iguais. A mistura desses olhares sempre me deixa louca.

Nick me beija da mesma maneira que me beijou na noite do acidente, antes de tudo acontecer. Um beijo cheio de desejo e promessas safadas.

— Esse sim é o Nick que eu adoro quando me beija.

— Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance para que a nossa vida seja a mesma que sempre foi.

— Ótimo. — sorrio.

— Começando por isso.

Franzo a testa. Nick joga água em mim e se afasta nadando.

— Acho que tenho que começar com o que é mais fácil pra mim minha linda.

— Ah é claro. — sustento-me na beira da piscina enquanto ele nada para cada vez mais longe de mim. — Sorte sua que eu não posso nadar agora ou deixaria você no chinelo.

— Eu ouço isso o tempo todo. — ele se escora na beira do outro lado da piscina — Mas olha só que curioso, não me lembro de você ter ganhado de mim nenhuma vez Ellen e não pense que eu deixarei você me ganhar só por causa da sua condição.

Hora de brincar.

— Então quer dizer que é mais fácil pra você ser um bastardo idiota?

Abaixo a cabeça e em um instante o Nick está na minha frente.

— Amor me desculpa. — ouço quando ele engole — Eu exagerei Ellen. Perdão.

— Você é incrivelmente idiota às vezes. — levanto o olhar pra ele e vejo seus olhos preocupados — Ainda bem que eu gosto demais do seu lado idiota. — sorrio.

Ele solta o ar audivelmente e sorri junto comigo. Chegando bem perto de mim, ele fala próximo à minha boca.

— Não se faz esse tipo de brincadeira com um namorado apaixonado garotinha travessa. — ele prende com força meu lábio em seus dentes e o lambe depois de soltá-lo — Talvez eu devesse fazer alguma coisa por isso.

— Não pode. — sorrio — A minha condição não permite punições.

É ótimo poder brincar com ele sobre isso. Talvez minha vida não vá mudar tanto assim.

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