Depois de nos secarmos após um bom tempo brincando um com o outro na água, descemos para o piso inferior. A enfermeira Agnes que chegou enquanto eu ainda me vestia, está esperando por nós, sentada no sofá da sala.
— Boa tarde, senhor Hoffman. — ela se levanta para cumprimentar o Nick e depois a mim — Senhorita Muller.
— Boa tarde, Agnes. — dizemos em uníssono.
Nick insistiu que seria conveniente contratar alguém para ficar comigo enquanto ele não estivesse em casa. Eu, sendo eu, relutei no início dizendo que não precisava de uma babá, mas agora após a minha primeira experiência de tentar trocar de roupa sozinha, vejo que ela realmente será útil pra mim. Nick passará um bom tempo fora de casa trabalhando e eu não vou ser arrogante ao ponto de achar que posso me virar sozinha.
Além do mais, eu gosto da Agnes. Ela me tratou muito bem durante a minha estadia no hospital e também está na cara que não é tipo de mulher que o Nick curte, com seus quilinhos a mais e padrão de beleza um pouco inferior para os seus padrões.
Ai meu Deus. Eu vou para o inferno por pensar assim de outra pessoa. Mas o que eu posso fazer? Eu é que não vou dar mole para o azar e aceitar uma enfermeira gostosa dentro da casa do meu namorado. Ele nunca falou, mas tenho certeza que se amarra em uma fantasia. Não vou ser eu a pessoa a lhe entregar isso de bandeja.
— Bem, Agnes, suas tarefas aqui não serão iguais ad que você tinha no hospital logicamente. — Nick começa ao sentar-se — Ellen está bem e não vai precisar de uma enfermeira como no hospital. Está mais para uma dama de companhia, digamos assim.
— Sim senhor, como quiser. — ela diz sorrindo — Eu estou perfeitamente ciente desse tipo de funções.
— Dama de companhia? — pergunto levantando as sobrancelhas — Eu por acaso tenho sotaque britânico e uma coroa na cabeça?
Nick sorri com a minha insinuação.
— Pode não ser a rainha da Inglaterra, mas é a minha rainha e como minha rainha, eu posso sim trazer para a corte quantas damas de companhia forem necessárias, milady.
— Sim assim deseja milorde, fique à vontade. — bato os cílios para ele. Nick pega minhas mãos e as beija fazendo reverência.
Nos olhamos com amor. Seu rosto está pertinho do meu e se não fosse minha nova “dama de companhia” eu o puxaria pra mim agora mesmo. Já faz muito tempo que não demonstramos nosso amor na cama.
Sinto vontade de arrancar a blusa vermelha de gola em V que ele acabou de colocar e cravar minhas unhas em seu abdómen sarado e suas costas largas enquanto ele me come.
Com uma tosse forçada a Agnes nos trás de volta para a sala. É sério? Tossir? Poderia ser mais clichê? Alguém deveria inventar uma forma melhor de chamar a atenção dos outros em momentos como esse.
Mas a culpa é minha. Eu não deveria estar pensando em safadezas assim quando tem gente por perto. E nem ele porque pelo olhar que ele me lança antes de voltar a atenção à Agnes, eu vejo que seu pensamento também era imundo.
Disfarçando sem conseguir convencer muito, Nick e Agnes agora começam a tratar de negócios. É a minha deixa pra ir tomar algo. Vou até a cozinha e enquanto pego algo na geladeira para beber, sorrio sozinha com a percepção de que terei esse homem para sempre na minha vida porque ele me ama. Deus, ele me ama. Como eu consegui isso? Tento me servir sem ter que sair de perto da geladeira, mas não consigo com precisão, assim, minha mão vacila e a jarra de limonada cai no chão de uma vez. É bem mais difícil do que eu imaginei pegar um copo e encher de suco. Ponho as mãos na testa e bato algumas vezes freneticamente. Conto até dois e...
— Ellen? — Minha intenção era contar até cinco, mas obviamente o Nick não demoraria tanto em me ajudar. Ele está sempre atento a mim. — Amor, você está bem?
— Estou Nick. — respondo guiando a cadeira pra longe do desastre na cozinha — Foi só uma jarra no chão.
— Não se machucou? — há uma verdadeira viga entre suas grossas sobrancelhas.
Oh Deus, ele é muito paranoico.
Tenho que me lembrar de evitar correr riscos ou vou provocar um infarto nele antes mesmo de ele completar vinte e cinco.
— De verdade Nick, não foi nada demais. — passo os polegares no lugar da sua viga de preocupação e aliso um pouco para desfazê-la — Eu quero que relaxe ok.
— Ok. — ele concorda, mas ainda visivelmente agoniado.
Caramba, controle-se homem.
Talvez ele precise de algo para relaxar. Talvez algumas horas fazendo sexo ajudem a tirar dele toda essa pilha.
— Bem Agnes, parece que o seu trabalho começa agora. — ele vira-se para a mulher que nos observa do batente do grande portal da cozinha.
— Sim, senhor. — ela concorda e ele mostra a ela onde ficam as coisas de higiene.
— Não sabia que ela seria empregada doméstica também. — comento enquanto ela limpa o chão.
— Preciso olhar pra mim por um tempo... Eu... Você entende? Não. Você não entende.
Ele sorri e me beija na testa.
— É claro que eu entendo, Ellen. Eu te dou o tempo que você precisar.
— Obrigada. — dou-lhe um sorriso tímido.
Devo parecer ridícula. Estou prestes a transar com meu namorado e estou nervosa como se fosse a primeira vez que fazemos isso.
— Mas eu estarei o tempo todo aqui do lado de fora encostado à porta.
— Certo.
Nick sai do banheiro e fecha a porta devagar. Eu consigo me locomover muito bem dentro do banheiro. As modificações que ele fez foram ótimas. Ele não poderia ser mais atencioso.
Ligo o jato da banheira e deixo encher. Pego em uma das prateleiras um vidro de sabonete líquido e derramo uma boa quantidade na água. Um perfume maravilhoso enche o ambiente e me relaxa um pouco.
Sei que em uma das gavetas perto da pia tem velas aromáticas. Vou até ela, pego quatro e acendo, colocando uma em cada canto do banheiro. Com esse mínimo esforço, minha respiração acelera. Não importa o quão confortável e prática seja essa cadeira, se locomover com ela por um longo tempo é cansativo.
Depois de preparar o lugar, começo a me despir. Começando pela parte mais fácil. Minha blusa e sutiã saem facilmente como sempre foi, mas não consigo tirar meu short. Não posso erguer os quadris pra puxar para fora o tecido.
Tento uma porção de vezes, mas não posso. Eu não posso.
— Merda. — É inútil tentar fazer isso sozinha.
Apoio os cotovelos nos joelhos e abaixo a cabeça nas mãos. Vai ser mesmo difícil viver assim.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Recomeço