— Nick. — chamo.
— Estou aqui. — ele entra em um piscar de olhos.
— Preciso de ajuda pra tirar minha roupa. — digo sorrindo e com os olhos fechados.
— Hmm. — abro um olho apenas e vejo seu sorriso lindo e cheio de malícia — Interessante.
— Apesar da atmosfera, isso não é nada sexual Nick.
— Quem disse? — ele se abaixa e traça o dedo pela borda do short lentamente.
— Talvez seja bom colocar uma música lenta e sensual pra melhorar o clima.
— E com certeza apagar as luzes também.
Antes de perceber eu já estou nua.
— Ainda precisa de um tempo?
— Agora só com você.
Ele me dá seu sorriso mais sexy e me pega nos braços. Envolvo minhas mãos em seu pescoço e o beijo.
— Não se preocupe em me pedir qualquer coisa que seja, Ellen. Principalmente se for pra tirar sua roupa. — ele beija os dois lados da minha boca e meu queixo — Eu vou adorar fazer isso.
Apenas aceno com a cabeça e ele me põe na banheira. Desliga a torneira e começa a tirar a própria roupa, dando aos meus olhos um show e tanto.
Quando está gloriosamente nu, Nick entra na banheira atrás de mim e me puxa para apoiar as costas em seu peito. Beija minha nuca e meus ombros repetidas vezes.
— Só pra constar Ellen, nada no seu corpo mudou. Você continua sendo a fantasia de todos os meus sonhos eróticos.
Sorrindo, descanso a cabeça no ombro dele.
— É sério?
— Claro que sim.
— Então eu quero que mostre isso de todas as maneiras possíveis, ok. — peço mordendo seu queixo.
— Será um prazer.
Passamos uns bons minutos apenas desfrutando da companhia um do outro com brincadeiras, flertes e provocações. O Nick é ótimo em me provocar quando a atmosfera sugere algo sexual. Ele faz esse joguinho porque sabe perfeitamente que isso me esquenta. Mas o estranho é que apesar de sentir uma coisa muito boa com suas palavras e carícias, meu núcleo não está latejando como já era pra estar e o formigamento que normalmente sinto nessas situações com ele não está aqui.
— Tudo bem, Ellen? — ele sussurra.
— Tudo. Por quê?
— Sei lá. Você ficou tensa de repente.
Disfarço.
— Nada amor. Mas eu estaria mentindo se dissesse que não estou nervosa.
— Nervosa? — ele vira meu rosto para olhar pra ele — Comigo? Desde quando você fica nervosa quando está comigo?
— Exatamente. Esse é o ponto. Eu não sei por que estou nervosa, Nick.
— Então acho que está na hora de sair da banheira e ir pra cama. Vou fazer você relaxar.
Sorrio. É claro que ele vai. Se alguém nesse mundo tem o poder de me levar aos lugares mais distantes, esse alguém é Nicholas Hoffman.
Ele sai primeiro da banheira e em seguida me tira e me carrega nos braços até o quarto. Pingando água por todo o piso, ele parece não se importar com isso e me põe de forma delicada até demais em cima dos seus lençóis brancos de seda.
— Já faz tempo demais que não sinto sua pele íntima da minha. — ele me deposita um beijo no umbigo.
Essa é a hora. É agora que eu saberei se posso ou não lidar bem com a minha invalidez. Se eu puder ser a mesma de sempre com o homem que eu amo, então nada será forte demais, ou doloroso demais que eu não possa aguentar.
— Eu quero você, Nick.
— Eu sou seu. — ele segue uma trilha de beijos desde o meu umbigo até a minha boca — Eu sempre serei seu, Ellen.
Colamos nossas bocas em um beijo apaixonado e ardente. As mãos dele passeiam pelo meu corpo e as minhas pelo dele. Nick geme toda vez que arranjo seu peito, seu abdómen ou suas costas.
— Deus, eu te amo tanto. — digo entre nossos beijos.
A língua dele penetra minha garganta como se ele estivesse com fome e sede de mim. Mas tem uma coisa bem errada aqui. Em metade do corpo, eu sinto fogo e desejo. Na outra metade, eu não sinto nada. Absolutamente nada.
Eu já deveria estar sentindo uma enchente se formando no meio das minhas pernas, mas não. Isso não está acontecendo.
Ele por outro lado está excitado. Muito até. Posso sentir sua ereção na minha cintura, mas eu não me sinto excitada. Gosto do que ele faz. É bom. Chega a ser prazeroso, mas não é nada que possa fazer meu sexo vibrar.
O que está errado?
Ele não parece perceber isso porque continua a me beijar da mesma forma que sempre fez. Eu, porém, estou me sentindo meio desanimada com o que estamos fazendo. Na verdade eu nem sei se desanimada é a palavra certa pra usar nessa situação. Só sei que estou me sentindo muito diferente de antes quando nós dois transávamos.
Os lábios de Nick estão no meu pescoço, no meu queixo, na minha boca... em todo lugar. E minha cabeça está tão nublada por essa falta de sensações sexuais que nem percebo direito quando ele se acomoda entre minhas pernas.
— Estava ansioso pelo seu sabor, Ellen.
Me apoio nos cotovelos e vejo quando ele me lambe. Sinto sua língua no meu lugar mais sensível, mas não como algo que me faça delirar de prazer do jeito que esse tipo de carícia sempre fez, mas apenas como um toque qualquer em um lugar qualquer. Também vejo quando ele insere um dedo em mim e pela primeira vez desde que eu perdi a virgindade com ele, eu não estou encharcada com seu toque. Sei disso porque sinto o atrito do seu dedo com a minha parede vaginal. E ele percebe o mesmo porque mais uma vez uma viga se forma na sua testa quando ele a franze.
Com o primeiro jato de sémen ele entra em mim de uma vez onde deposita todo o seu prazer. Seu gozo faz com que não haja nenhum atrito na penetração. Dentro de mim, Nick deixa a cabeça cair na curva do meu pescoço enquanto recupera a respiração normal.
— É a sua vez agora Ellen. — ele apoia os braços em cada lado da minha cabeça e me olha — Eu farei você gozar.
Meu maravilhoso namorado retoma seus beijos e carícias pelo meu corpo enquanto me penetra com vontade. E eu? Eu tento. Tento muito me entregar ao prazer, mas o problema é que não estou sentindo prazer. Sinto ele dentro de mim. Sinto o atrito. Sinto o entrar e o sair, mas não sinto prazer algum com isso embora ele esteja se concentrando apenas em mim. Ele leva uma mão ao meu clitóris e o massageia. Não adianta muito. Eu não consigo sentir o que era pra estar sentindo.
— Ellen...
Só pela sua voz eu sei que ele está perto de novo.
— Vamos lá, amor. — ele fecha os olhos com força — Goze. Por favor, vamos lá.
Eu tento gozar. Ele tenta de todas as formas me fazer gozar, mas o orgasmo não vem. Consigo sentir uma sensação gostosa com os seus movimentos, mas não é nada demais.
— Ellen eu... — ele geme alto — Eu não aguento mais. Eu não posso mais segurar. — a voz dele sai carregada de sofrimento.
Ele goza. De novo. Eu choro.
— Me desculpa Ellen. Eu não consegui. Me desculpa.
Ele deixa o peso do corpo cair sobre mim. Eu o abraço e continuo segurando forte e chorando. Ele respira com dificuldade. Imagino que tenha sido um esforço e tanto pra ele.
Não faço nem ideia de quanto tempo nós ficamos assim. Só sei que fechei os olhos durante o choro e agora que abri, não estou mais em baixo do seu peso esmagador, estou deitada sob o seu peito e suas mãos estão alisando meus braços lentamente. Acho que dormi.
Movo a cabeça pra olhar pra ele. Seus olhos estão muito distantes e pensativos. Parece que ele não mesmo percebe que está me acariciando ou talvez ele tenha caído em pensamentos enquanto me acalentava e agora suas mãos apenas seguem uma ordem predefinida.
— Você cochilou um pouco. — ele diz com os olhos parados fixos em algum ponto imaginário e invisível.
— E você não. — ele então olha pra mim e confirma que não — Mas deveria.
— Nós dois deveríamos.
Mas como eu poderia quando há coisas sobre as quais conversar?
— Nick...
— Amanhã, Ellen. — ele beija minha testa — Conversaremos amanhã.
Eu sempre tive a enorme capacidade de entender os sinais do Nick. Ele não vai falar nada agora. Ele está perdido demais em sua mente.
— Não vai mais tocar em mim, não é?
Ele não responde. E nem precisa. Sua linguagem corporal já diz tudo. Essa parte do nosso relacionamento mudou e com isso, muitas outras coisas mudarão.

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