Entrar Via

Recomeço romance Capítulo 6

Acordo na manhã seguinte da mesma forma como adormeci, com um braço enrolado ao peito largo do Nick, nossas pernas entrelaçadas e os braços dele nas minhas costas me apertando contra seu corpo.

Minha cabeça está contra seu coração ouvindo seus batimentos calmos. Me remexo em cima dele, sentindo o seu calor gostoso e viro a cabeça pra cima para olhar seu rosto sereno durante o sono. Ele deve estar exausto. Eu dei uma canseira nele ontem.

Acaricio seu peito com a ponta dos dedos e beijo sua pele. Espero que o que aconteceu não o abale muito porque eu não poderei suportar a mínima ideia de saber que já não posso ser a mesma na nossa relação.

Viro rapidamente o pescoço para a mesinha de cabeceira e olho as horas. Já passa das sete da manhã.

Com meus movimentos ele começa a despertar. Eu deveria deixá-lo quieto para que durma. Não é preciso ser gênio pra saber que ele ficou acordado até tarde depois que terminamos de transar. Mas ele tem que acordar ou chegará atrasado à Universidade.

— Bom dia, dorminhoco. — beijo de forma repetida o peito dele — Hora de acordar.

Ele se mexe de novo e abre os olhos piscando rapidamente por causa da claridade. Continuo beijando sua pele e ele logo solta um gemido.

— Você está me deixando duro, minha linda. — Ele diz com a voz rouca.

Sorrio silenciosamente. É bom saber que eu posso fazer isso com ele. Talvez eu devesse aproveitar sua confissão e provocá-lo um pouquinho pra ver se hoje de manhã temos mais sorte que ontem à noite. Mas eu sei que ele tem que ir trabalhar. Mesmo assim, puxo um de seus mamilos nos dentes e vejo quando ele solta o ar sibilando.

— Adoraria passar a manhã inteira com você, — levanto o rosto do seu peito e olho pra ele — mas não podemos.

— Por que não podemos? — ele se beija minha testa.

— Não se faz de bobo, Nick. Você tem que ir trabalhar.

— Não, não tenho. — suas mãos começam a acariciar meus cabelos.

— Não vou deixar que perca um dia de trabalho por minha causa.

— Ellen...

— Não, Nick. — apoio os antebraços em seu peito e olho bem dentro dos seus olhos — Você já perdeu duas semanas inteiras de trabalho na Universidade, na clínica e até na ONG. Vai.

— Ellen, — vou falar de novo, mas ele põe o dedo na minha boca, me calando — eu não perdi nenhum dia de trabalho na Universidade.

— Não mente pra mim. Eu sei que você passou toda a semana que eu estava desacordada comigo e depois que eu acordei também.

— Eu não perdi trabalho. — ele reafirma — Eu larguei o emprego na Universidade.

Eu ouvi mal ou ele disse que largou um emprego que adora?

— O quê? — pergunto com a minha voz subindo algumas oitavas de forma mais estridente que a de uma líder de torcida.

— Exatamente o que você ouviu. — ele aperta seus braços fortes ao redor do meu corpo e me mantém presa a ele — Não vamos falar sobre isso.

— Como não vamos falar sobre isso? Nick, é loucura você sair do seu emprego por minha causa.

— Foi necessário. — ele diz sem me soltar.

— Mas por que você fez isso? — forço e consigo tirar seus braços de mim para poder olhar pra ele. Ele solta uma longa respiração antes de mexer nas mechas do meu cabelo.

— Ellen, eu tive que fazer isso. Você precisa de mim e eu não quero ficar longe de você.

— E aí você resolveu que a melhor forma de fazer isso é deixando o seu emprego. — não pergunto, afirmo.

— Se eu fosse trabalhar todo dia, eu estaria abrindo mão de realmente ser útil para alguém. Os meus alunos... — seus olhos se fecham brevemente — Eles precisam de um professor e qualquer um pode ocupar o meu lugar. — ele me olha alisando meu rosto com as costas dos dedos — Mas você precisa de mim. Eu tinha que abrir mão ou de uma coisa ou de outra e eu não quero e nem vou abrir mão de estar com você.

— Deixou a clínica também?

— Não. Você precisa de fisioterapia pra se recuperar o mais rápido possível e eu sou fisioterapeuta. Não vou cuidar do seu caso porque neurologia não é minha especialidade e eu quero que você tenha os melhores profissionais à sua disposição, mas estarei na clínica todos os dias com você.

Deito de costas olhando para o teto. É claro que eu adoro o fato de o Nick ser tão prestativo a ponto de deixar de fazer algo que ama por minha causa, mas ao mesmo tempo eu não quero que uma atitude pouco pensada desperte nele mais tarde o arrependimento e a frustração.

— Quando você fez isso? — peço cobrindo os olhos com os antebraços.

— No dia seguinte ao seu acidente.

— Você me disse que os membros da Junta Acadêmica estavam de olho em você esperando que cometesse um deslize pra te tirar da Universidade.

— E estavam.

— Não acha que sair do seu cargo sem aviso prévio e sem explicações complementares pode ser entendido como falta de compromisso com a Instituição e que isso pode ser usado contra você em um possível retorno no futuro?

Ele tira meus braços dos meus olhos, se apoia em um dos cotovelos e se inclina sobre mim.

— Ellen meu emprego não importa. Você sim. — ele me dá um pequeno beijo — Se a Junta não quiser me readmitir quando as coisas voltarem ao normal, o problema é deles. Eu tenho muito a agradecer ao Charlie e à Universidade de Miami, mas esse não é o único lugar onde eu poderei trabalhar então não se preocupe com isso tá.

— Não se importa em não dar mais aula? — pergunto baixinho.

— Não.

— Nick...

— Não, Ellen. — ele sabe o que quero fazer.

— Mas eu quero Nick.

— Mas eu não.

— Não quer que eu te chupe até você gozar? — pergunto com a testa franzida mesmo sabendo que ele não está vendo — Desde quando você recusa uma chupada minha?

— Desde que eu não posso retribuir o favor. — ele responde imediatamente com uma voz que mostra que ele está irritado.

— Acontece que eu não estou te fazendo nenhum favor Nick. — respondo no mesmo tom se não, mais apurado que o dele — Eu quero fazer isso.

— Eu não vou fazer isso com você.

Ele se levanta e começa a andar em direção ao banheiro.

— Não vai fazer o quê comigo?

Ele para e segura facilmente o batente superior da porta quando estica o braço acima da cabeça. Depois vira apenas o pescoço para mim.

— Você não é uma boneca inflável que eu vou usar para extrair prazer, Ellen.

— Eu não disse que era.

— Então não me peça pra agir como se você fosse apenas sexo. Você é mais do que isso. Você é a pessoa mais importante da minha vida. — ele solta uma longa respiração — Você é a minha vida.

— Nick... — outra vez as lágrimas querem deixar o cativeiro dos meus olhos.

— Eu não vou usar você. Não vou transformar você em uma das muitas mulheres que eu já usei.

Posso sentir em sua voz o desprezo por suas ações do passado.

— Eu não vou magoar você. — diz isso e entra banheiro adentro.

Entendo o lado dele, mas será que ele não percebe que ao agir assim está exatamente fazendo aquilo que não quer? Que com esse comportamento ele está me magoando?

As lágrimas que saem dos meus olhos agora não são de emoção, são de tristeza. Algo se quebrou entre nós e eu tenho medo de que o conserto esteja muito distante ou até mesmo fora do nosso alcance.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Recomeço