O entardecer já estava caindo e logo a noite cobriria a cidade com seu manto de estrelas. Julieta, apesar de estar nervosa, também estava decidida a dizer-lhe a verdade e fazê-lo entrar em razão.
— Precisamos conversar — respondeu ela com firmeza, fechando a porta atrás de si e, sem esperar, soltou o que estava entalado em sua garganta — sei de tudo, Max... como pôde esconder algo assim de mim — sua acusação como adagas afiadas direto no peito de Max.
Max ficou mudo por alguns segundos eternos, que ela aproveitou para entrar em sua casa e plantar-se no meio da sala, e ele a seguiu atordoado por vê-la em sua casa.
Uma Julieta muito triste, depois de receber alta, foi para a casa de Tom. Não queria ver ninguém, mas precisava tirar tudo o que tinha no peito, por isso pediu o carro emprestado do seu melhor amigo pouco menos de uma hora depois de chegar à casa dele e dirigiu até a mansão de Maximiliano. Tom não estava muito seguro, mas ela parecia decidida, então achou melhor apoiá-la.
— Não sei do que você está falando — respondeu Max, tentou se fazer de desentendido, mas ela não deixou e o confrontou.
A máscara de indiferença estava em seu lugar e ele queria se fazer de hermético.
"Como ela descobriu?", pensou Max, em pânico.
Talvez estivesse sonhando; ultimamente tinha sonhos bastante vívidos, coisas do passado ou talvez coisas com as quais fantasiava, como uma Julieta muito grávida e descalça fazendo comida ou assistindo a um filme em sua sala juntos enquanto ele acariciava sua enorme barriga de grávida, mas sempre era ela carregando seu filho no ventre.
Sonhos...
— Amor... queimei a lasanha! — Gritou Julieta da cozinha.
Com uma risadinha, Max nega com a cabeça e entra na cozinha para vê-la toda corada e irritada, sua enorme barriga impedia que se aproximasse mais do balcão da cozinha.
— Vamos pedir pizza, ou melhor ainda... vista-se — olhou-a de cima a baixo querendo despi-la, aquele bebê em seu ventre a fazia parecer mais sexy — vou levá-la para jantar.
— Mas... eu queria fazer o jantar — faz um biquinho com lágrimas nos olhos — não sei cozinhar nada especial para você.
— Tenho você aqui e nosso bebê, não quero mais nada — garanteu Max, segurando-a pelos ombros e aproximando-a para um beijo.
Fim do sonho
— Não minta! Você tem câncer! — acusou-o como se fosse culpa dele, deixando-se levar pela raiva, dor e desconsolação — Câncer, Max! Como pôde não me dizer nada? Por que escondeu isso?
Suas palavras acusadoras o trazem de volta, clareando sua mente de repente.
— Isso não é algo que lhe diga respeito, saia da minha casa AGORA! — expulsou-a sem consideração, era apenas o medo e o mal-estar falando por ele. Isso não devia acontecer, ele primeiro devia se curar para estar com ela.
O que iria oferecer a ela estando tão doente?
Afinal, havia passado uma péssima noite e uma terrível manhã, estava com o ânimo no chão e não esperava nem de longe vê-la em sua casa exigindo respostas que ele não se atrevia a dar. Só queria ver quem não parava de bater na porta e o deixava em paz. Pensou que fosse alguém de sua família e se perguntava por que a segurança não os tinha mandado embora. Assim que abriu a porta e viu seus olhos verde-claros cheios de tristeza e pesar, sentiu a pele arrepiar.
Ela deveria ir embora agora!
Não demoraram a começar a discutir. Julieta, despedaçada por dentro, recriminou-o por não ter contado sobre sua doença. As lágrimas caíam por suas bochechas enquanto ele, com uma frieza que a feria ainda mais, tentava diminuir a importância.


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