— Não fui eu, foi ele quem cozinhou — disse Suzi, rindo e apontando para Jonas.
— Venha, sente-se. Vou buscar os talheres para você.
— O talento do Jonas não fica atrás de nenhum chef de cinco estrelas. Vamos comer logo, antes que esfrie.
Suzi serviu primeiro uma tigela de Canja de Pombo Jovem e a colocou diante de Tainá: — Coma bastante. Você trabalha tão duro o dia inteiro, precisa se alimentar bem.
A canja de caldo leitoso, adornada com a vermelhidão das frutas de goji e o verde da cebolinha, era um verdadeiro convite ao paladar.
— Entendi, mas a senhora também precisa comer mais. Não fique apenas cuidando de mim.
— Mãe, serve uma para mim também? — pediu Jonas, com um leve tom de ciúme.
— Você não tem mãos? — rebateu Suzi, lançando-lhe um olhar severo.
— Cara, apenas aceite o seu destino — brincou Lino, dando um tapinha no ombro de Jonas.
— É verdade. Como pessoa, é importante ter autoconhecimento. Para a Dona Suzi, a Senhorita Tainá é a menina dos olhos dela.
Vagner e Lino, dois seguranças que normalmente ostentavam semblantes impenetráveis, já estavam relaxados ali, participando das brincadeiras.
Com a convivência, os dois haviam se integrado completamente àquela família. No dia a dia, Tainá achava muito fácil lidar com eles.
Eles eram ótimos em tudo; o único problema era que, se alguém tentasse arrancar informações sobre os segredos de Lúcio, suas bocas se fechavam mais rápido que uma concha.
Porém, essa atitude apenas provava para Tainá o quanto eles eram confiáveis e como valorizavam a ética profissional.
— Vocês não sabem de nada, na verdade, eu já aceitei o meu destino faz tempo.
Desde que eu era pequeno, quando minha mãe começou a cuidar da Tainá, ela esqueceu que tinha um filho.
Jonas fingiu uma expressão de pura pena.
— Fale isso de novo, fale, e veja se eu não te dou uns tapas!
— Parei, parei, prometo que não falo mais nada.
Quando Suzi levantou a mão ameaçando bater nele, Jonas se encolheu, lançando um olhar assustado para a mãe, e logo pediu clemência.
Hahaha...
— Você é um homem feito, e ainda quer que eu cuide de você?
— Não precisa, não precisa cuidar mais.
— A Suzi só precisa cuidar de mim, não é, Suzi? — Tainá entrou na brincadeira para provocar, inclinando a cabeça e lançando um olhar presunçoso para Jonas.
Tainá havia bloqueado os números dele, mas o rapaz insistia em ligar usando linhas diferentes.
Cansada daquela brincadeira, ela decidiu desbloqueá-lo.
— O que foi? Fale de uma vez.
— Tainá, por favor, venha ver a mamãe. Ela não comeu nada no almoço e também está recusando o jantar.
Desde o que aconteceu com a Laura, ela anda de coração apertado. Emagreceu muito e, se continuar assim, temo pela saúde dela.
Encontre um tempinho para vir fazer companhia a ela.
— O fato de ela não querer comer tem alguma coisa a ver comigo?
— Não fale assim. Ela é sua mãe, acha que ela não se importa com você?
— Nunca notei isso.
Naquele exato momento, na mansão da Família Torres, os membros também estavam reunidos à mesa de jantar.
Devido à detenção de Laura, Viviane vivia em profunda depressão, doente de saudade da filha e incapaz de comer. O clima na casa estava tão denso que todos perderam o apetite.
Naquele dia, Giovani, o Esquentadinho, havia retornado. Ele sugeriu que, se a sexta irmã voltasse para casa, talvez o humor da mãe melhorasse um pouco.

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