No fundo, sua intenção original era retirar o dinheiro em lotes, para não atrair a atenção de ninguém.
Contudo, como o volume de capital era muito grande e havia passado por um segundo ciclo de investimentos, o montante principal agora ultrapassava os oitocentos milhões.
Mesmo que sacasse apenas um terço de cada vez, havia o risco de causar uma queda repentina nos índices, atraindo os olhares dos especuladores que logo seguiriam a tendência.
Se isso causasse uma paralisação nas negociações devido ao limite de baixa em um curto espaço de tempo, era muito provável que Tainá não conseguisse liquidar as outras ações que tinha em mãos naquele dia.
Se esperasse até o dia seguinte, estaria saindo em um ponto de baixa, e a perda nos lucros não seria pequena.
Tainá olhou para os números na tela e, finalmente, sentiu um alívio percorrer seu peito.
Fechou o notebook e, baseando-se em suas memórias da vida passada, começou a preparar as questões para o teste da unidade do professor.
Logo após a ginástica matinal, em menos de três minutos, o Professor Fábio já estava de volta à sala.
— Tão rápido? O senhor veio correndo? — ela indagou, erguendo uma sobrancelha.
— E então? Ocorreu tudo bem? — ele devolveu a pergunta, ofegante.
— O senhor está perguntando sobre a elaboração da prova? — Tainá provocou, fingindo inocência.
— Está me testando de propósito, não é? Elaborar questões para uma aluna brilhante como você ainda é algum desafio? — Fábio a fuzilou com o olhar, visivelmente impaciente.
— Finalmente o senhor admitiu que sou uma aluna brilhante. — Um sorriso sutil desenhou-se nos lábios de Tainá.
Normalmente, ele era o rei das críticas. A cada correção de tarefa ou prova, parecia procurar pelo em ovo apenas para descontar pontos.
Fábio murmurou para si mesmo: *Se eu não a mantiver na linha, o ego dessa garota vai parar na estratosfera.*
— Fale logo! — ele apressou.
— Tudo correu perfeitamente bem. — Tainá parou com as brincadeiras, sabendo que o tempo era curto.
— O primeiro investimento quadruplicou. O segundo, dobrou.
— Tanto assim?! — Os olhos do Professor Fábio brilharam com uma intensidade quase cômica.
Ele raramente perdia a compostura. Tinha apenas seus vinte e poucos anos, mas, por ser professor, sentia a obrigação de manter uma postura rígida.
— Uma oportunidade dessas é rara. Lembre-se, professor, o senhor não deve sair por aí brincando de investir em ações daqui para frente! — ela alertou, com um tom sério.
— Por acaso sou alguma criança? — ele retrucou.
— Fala baixo! — Débora deu um tapinha nas costas da amiga. — Como você nunca aprende?
Os quinhentos mil de Débora haviam se transformado em dois milhões. Os duzentos mil de Luna, em oitocentos mil.
Os mil de Ana, embora tivessem sido investidos pelo Diretor Gustavo apenas no segundo dia, graças a uma alavancagem mais agressiva, também renderam consideravelmente, transformando-se em quatro mil.
Tainá fez as transferências uma a uma. Não disse os valores em voz alta; as duas apenas olharam para as telas de seus próprios celulares, mantendo o silêncio atônito.
Virando-se para Ana, Tainá acrescentou: — Mais tarde eu te entrego um cartão com os seus quatro mil.
— Lembrem-se, nunca invistam de forma imprudente. Um único passo em falso e vocês podem perder absolutamente tudo. — O tom de Tainá era inflexível, garantindo que a euforia não as cegasse.
Após pensar um pouco, ela enviou a mesma advertência no grupo da empresa.
Precisava alertar seus funcionários para que não se iludissem achando que o mercado de ações era dinheiro fácil, evitando que trilhassem um caminho sem volta.
Aproveitando o momento, Tainá também transferiu o dinheiro de Carlos Xavier.
Ele respondeu em questão de segundos: *"Agora você já pode me dizer qual era a ação, não é?"*
*"Ações da Constramar."*

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