Lúcio, sem saber se ria ou chorava, exibia uma expressão de total impotência.
— Ai, Chefe Torres, você por acaso sentia pena dele na época? Achava que ele era só músculos e pouca inteligência, do tipo que seria vendido e ainda ajudaria a contar o dinheiro?
— Bom, não chegava a tanto. Eu pelo menos sabia que ele não era burro, tinha certa experiência de vida e era uma boa pessoa.
— Por exemplo, ele se ofereceu para me ajudar na apresentação de Dança de Capoeira, e só de bater o olho percebeu que havia algo espalhado no chão.
— Ah.
— Então pensei: esse cara não é ruim, vou dar uma força para ele.
— E depois? — perguntou Júlio sorrindo.
— Depois percebi que ele era bastante competente. Pelo menos, todas as tarefas que eu passava, ele resolvia perfeitamente.
— Além disso, com a convivência, comecei a achar que a história dele era cheia de mistérios.
— Por exemplo, quando estive em perigo, ele arranjou dois guarda-costas para mim, justamente aqueles dois. — Tainá apontou para Vagner e Lino.
— Mas o mestre tinha me dito claramente que não havia mais nenhum segurança de alto escalão disponível.
— Como aqueles dois pareciam tão habilidosos?
— Só depois o mestre me contou: “Esses são os guarda-costas do seu colega desde a infância.” Foi aí que percebi que a origem dele não devia ser nada simples.
— A situação financeira dele também era excelente. Ele entrou como sócio na minha empresa da Bicicleta Verde e tirou centenas de milhões do bolso num piscar de olhos.
— Outro exemplo: pedi a ele para me ajudar a comprar um carro, e ele me vendeu a própria Lamborghini personalizada. Era ultra-resistente, segura e chamativa — nada que uma pessoa comum pudesse ter.
— Mais tarde, tentei várias vezes arrancar do mestre qual era a verdadeira identidade do Lúcio, mas aquele velho simplesmente não soltava uma palavra, recusando-se a revelar qualquer coisa.
— Naquela época, eu só pensava: de onde foi que o mestre desencavou esse aluno?
— E aí você descobriu que o seu colega não era nada coitadinho e muito menos digno de pena, haha... — riu Júlio Campos, olhando para Lúcio.
— E então, Chefe Índigo? Bateu o arrependimento por não ter fingido ser miserável só para ganhar mais pena da coleguinha?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Renascida e Desalmada: Meus irmãos imploram por perdão