Capítulo 12
Riley Collins
O silêncio que veio após o surto de Jackson era quase mais incômodo do que os gritos. Eu ainda sentia o impacto do aperto da mão de Luca na minha, a tensão viva no ar, como um fio prestes a arrebentar.
E então… ela apareceu.
Do nada, como se tivesse sido invocada por feitiçaria, surgiu ao lado de um segurança imenso, de terno escuro e olhos atentos, uma mulher de presença arrebatadora.
Vestido vermelho sangue. Cabelos pretos como tinta, longos, ondulados, caindo pelas costas com elegância. A maquiagem pesada, com delineado preto e batom escuro, moldava olhos que pareciam atravessar a alma.
E o corpo… bom, não era delicado. Era de mulher feita, escultural, como se tivesse sido esculpida em propósito.
Mas de doce ela não tinha nada. E nem percebi isso por observar a arma no coldre da perna dela.
Precisei de um segundo para entender que o nome “Tamy” carregava muito mais peso do que imaginei.
Bastou um olhar dela pra mim — nada simpático — pra eu entender que estava em solo inimigo.
Ou essa vadia mora aqui, ou está passando as férias.
— Quem chamou por mim? — ela disse, a voz firme e direta, como se não admitisse brincadeiras. Seu olhar passou por Jackson, parou na boca de Luca e depois veio na direção do meu corpo.
Jackson abriu um sorriso satisfeito, mas antes que pudesse se pronunciar, a mãe dos dois tomou a frente com sua elegância experiente, voz açucarada e olhar atento.
— Querida, que bom que chegou. Estávamos falando de você. Jackson quer se casar contigo.
Tamy ergueu uma sobrancelha. Depois olhou pra Luca.
— Curioso. Por que não era com você que eu deveria me casar? — soltei a mão dele, mas segurou forte novamente.
Luca respirou fundo, fechando os olhos como se tentasse manter a calma. Não entendi o que se passou. Antes que ele pudesse responder, Jackson se adiantou.
— Porque eu quero você, Tamy — disse ríspido. — E não aceito recusas. Luca já está casado. Vou preparar os papéis.
O tom dele mudou tão rápido que fez até alguns convidados se entreolharem. A hostilidade era evidente.
Tamy franziu o cenho, desconfiada, mas a mãe dos rapazes novamente intercedeu, aproximando-se e tocando suavemente o braço da moça, como quem acalma um animal selvagem.
— Querida, não há necessidade de tensão. A intenção é boa. Apenas pense. Jackson está tentando recomeçar. Não é um gesto bonito?
Tamy não respondeu de imediato. Seus olhos ainda estavam cravados em Luca, como se buscassem verdades ocultas nas entrelinhas.
— Isso é loucura — Luca disse enfim, se colocando entre Jackson e ela. — Tamy é como uma irmã pra nós. Isso aqui não faz o menor sentido.
Jackson bufou, soltando uma risada cheia de deboche.


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