Capítulo 13
Luca Black
A sala estava mergulhada num silêncio pesado. Eu já estava puto, a ponto de socar Jackson mesmo com minha mãe presente.
Os membros mais influentes da família Black estavam sentados, lado a lado, imóveis, como peças de um tabuleiro prestes a virar.
Fiquei encostado na parede dos fundos, braços cruzados, o maxilar travado.
Riley estava comigo. Fiz questão de segurá-la e mantê-la sob controle. Até porque, a essa altura, sua irmã já estava na nossa casa de campo. Não sei em que condições, porque não tive tempo para verificar com meus homens, mas foda-se. Fiz minha parte. Riley agora está em minhas mãos e não desse maldito traidor.
Jackson, como sempre, ocupava o centro da cena. Jogado na poltrona mais imponente da sala, com o ar de quem já sabia o resultado antes do jogo começar. Paletó alinhado, sorriso cínico no canto da boca e aqueles olhares venenosos que ele me lançava desde que éramos moleques.
Fiz questão de olhar para a bengala. Talvez assim ele lembrasse melhor que o deixei assim e posso fazer muito pior.
O consigliere pigarreou.
— O documento que será lido foi assinado três dias antes da morte do patriarca — anunciou. — Confirmamos a autenticidade com um perito. Todos os selos estão válidos. O advogado pode começar.
— Isso não importa — Jackson murmurou, como quem acha tudo perda de tempo. — Todo mundo aqui sabe quem meu pai preparou durante anos. Não tem surpresa nenhuma.
Não rebati, até porque meu pai sempre tratou Jackson como coitado, criou falsas ilusões, porque fui eu quem ele treinou. Fui eu quem ele passou dias e noites garantindo que tivesse o tiro perfeito, a mente controlada e estudos suficientes para um verdadeiro chefe.
Só continuei encarando o envelope lacrado.
Sabia que havia algo ali. Algo que meu pai fez no último momento, e que ninguém esperava. Nem mesmo eu.
O envelope foi aberto com uma lâmina dourada. O advogado começou a leitura:
> “Ao contrário do que lhes foi dito por terceiros, não escolherei como chefe aquele que mais matou por mim. Não preciso de um monstro no comando. Preciso de um homem que saiba proteger, liderar e, principalmente, manter meu legado.“
Vi as sobrancelhas de Jackson se erguerem, confusas.
Não era isso que ele esperava. Nem eu, porque isso significa que meu pai pode ter realmente solicitado isso no outro testamento e depois mudou de ideia. Mas alguma coisa no meu peito… se aquietou.
> “Meu império não precisa mais de sangue. Precisa de continuidade.”
> “Portanto, o cargo de chefe da família Black será concedido em um ano, oficialmente. Será ao filho que estiver legalmente casado e que demonstrar estar construindo um legado de aliança. De proteção. De honra.”
O murmúrio que percorreu a sala foi como um sussurro de vento antes da tempestade.
Vi meus tios se entreolhando. Vi o brilho da fúria surgindo nos olhos do meu irmão.
> “Se ambos estiverem casados, e houver dúvida, a escolha recairá sobre aquele que apresentar estabilidade emocional e capacidade de preservar laços — não destruí-los.”
> “Como último desejo, proíbo a nomeação de qualquer herdeiro que tente reivindicar o trono através da força, chantagem ou intimidação.”
> “E deixo registrado que, por decisão pessoal e observação direta, escolho Luca Black como meu sucessor nesse primeiro ano. Até que o conselho o eleja publicamente nessa mesma data do próximo ano. Por cumprir todos os protocolos solicitados.”
Ouvi o estalo.
Jackson havia quebrado a caneta que segurava, de tanta raiva.



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