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Roubada no altar pelo chefe da Máfia romance Capítulo 155

Capítulo 155

Riley Black

Eu estava no escritório, com os pés sobre o pufe e a mão instintivamente apoiada na barriga que já pedia seus próprios espaços. O mordomo apareceu na porta com o rosto entre preocupado e solene.

— Senhora, a Rúbia está aqui… com a Mia. Posso conduzi-las?

Meu coração acalmou no mesmo segundo. Mia.

— Traga já, por favor.

A porta se abriu e Rúbia entrou apertando a menina contra o peito. O cabelo dela estava preso de qualquer jeito, e os olhos… molhados, brilhando de um jeito que eu detesto ver em gente minha. Estendi os braços.

— Vem cá, princesinha — falei, e Mia esticou as mãos. Peguei-a com cuidado; o peso já me fazia ajustar o quadril, a barriga não deixava erros de cálculo. — Ai, meu amor, você tá ficando pesada, hein? Ou a tia Riley está maior? O que acha? — brinquei, beijando a bochecha fofa. Mia riu do meu nariz.

Quando ergui o olhar, a bolsa grande de Rúbia me acertou antes da explicação. Era a bolsa “de quem não sabe se volta”.

— Oi minha querida. Está tudo bem? O que aconteceu? — perguntei, direta.

— Estou indo.

Ela mordeu o lábio, respirou fundo e tudo saiu de uma vez.

— Estou grávida, Riley. Mas o Derrick não acredita em mim. Ele pensa que eu traí, que já estava grávida do meu ex quando casei. Não é verdade. Tenho dois meses de gravidez. A gente tem mais de dois meses de casados. Eu… eu acho que engravidei na primeira semana.

Senti um espinho gelado subir pelas minhas costas. Ajustei Mia no quadril e puxei Rúbia pelo olhar.

— Não acredito. Ele não acredita em você?

Ela negou, os olhos marejando outra vez.

— Não. Eu vim pedir permissão ao Don pra ir embora… talvez voltar a trabalhar aqui, ou na casa de campo, como antes. Estou com medo. O Derrick mudou. Agora eu percebo que não o conheço o suficiente. Eu preciso proteger meu filho. — Ela começou a contar detalhes e me preocupei.

Pus Mia no tapete do escritório, chamei uma funcionária com um gesto e entreguei a ela um saquinho de brinquedos.

— Faz uma torre pra tia Riley ganhar — sussurrei à pequena, que já beliscava os blocos. Depois segurei a mão de Rúbia. — Calma. Entra. A gente vai chamar o Luca no escritório.

Assenti para o mordomo, que entendeu sem palavras.

— Cuide da Mia um pouquinho. Pede ajuda pra cozinha com um lanche.

— Sim, senhora — ele disse, curvando-se, e levou minha menina para a sala ao lado.

Puxei Rúbia pra poltrona em frente à minha mesa. Sentei de frente pra ela, devagar, e senti meu bebê alongar um pé teimoso contra minha pele. Respirei duas vezes, daquela respiração que aprendi ao lado de um Don: enche por dentro o que por fora tentam derrubar.

A porta voltou a abrir e Luca entrou. O terno escuro, as mangas dobradas de leve. Ele me olhou primeiro — sempre confirma pelo meu olhar se é bala ou abraço — e depois fixou em Rúbia.

— Que houve? — a voz dele veio calma, mas com a firmeza que desmonta mentiras.

Eu contei. Sem enfeite, sem pausa. Os exames, as semanas, a briga, a garrafa, a insinuação com a funcionária.

O rosto de Luca não tremeu — isso é o pior sinal num Don.

— Riley, o Derrick realmente não pode ter filhos — ele disse, pausado, como quem revisita um dossiê antigo. Voltou-se a Rúbia. — Você está dizendo a verdade?

Ela endireitou as costas, como quem coloca a própria vida sobre a mesa.

— Sim, chefe. Eu juro pela Mia. Eu não o enganei. Estou sendo sincera. Não sei como foi isso.

— E o período com seu ex? — Luca apertou as palavras, verificando prazos, como sempre.

— Faz mais de quatro meses. Estou de dois. É do Derrick. — Ela respirou curto. — Mas… eu peço perdão. Eu não quero mais estar com ele. Faço o que o senhor quiser. O senhor sabe que a Mia é da minha irmã. Eu tenho o direito de ficar com ela. Já é minha filha.

Uma sombra passou nos olhos de Luca quando ouviu “não quero mais estar com ele”. Ele tocou a aliança, antigo gesto silencioso de quem mede consequências.

— O Derrick não me disse nada — ele murmurou. — Tirou folga ontem depois de resolver pendências. Mas é de minha total confiança. Mais que um irmão.

— Ele bebeu — Rúbia sussurrou, a voz quebrando na beira. — Chegou bêbado e… até ameaçou ficar com a empregada da casa.

O ar no escritório ficou denso. Fui a primeira a estourar:

— O quê? O Derrick perdeu o juízo? — senti o sangue subir ao rosto. Olhei para Luca. — Você precisa fazer alguma coisa. Eu não vou permitir que ela volte pra lá.

Luca assentiu devagar, mas o olhar já estava distante, enchendo linhas que só ele enxerga.

— Pode ficar aqui, por enquanto — disse, firme. — Só que ele vai saber. Vou chamá-lo imediatamente. Vamos resolver isso.

— Resolver como, chefe? — Rúbia se apressou, já temendo cativeiros de decisão. — Ele não acredita em mim. Eu não o quero assim.

Luca inclinou o corpo, os cotovelos nos joelhos, as mãos entrelaçadas. É a pose dele de “vou dar a lei”.

— Se você está dizendo a verdade, ele vai cair em si quando fizerem o exame. Eu vou exigir que ele faça. NIPT, é a partir de nove semanas. Entendeu?

Ela assentiu, mas os olhos tinham outra pergunta.

— E se eu não quiser voltar? Eu posso, chefe?

Antes que Luca falasse, me inclinei:

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