Capítulo 161
Rúbia
Dói tudo isso.
Dói de um jeito que não tem remédio, nem prece, nem justificativa.
Eu estava me sentindo como um envelope rasgado. E ele ali — com aquele olhar de quem acabou de encontrar um milagre, enquanto eu só via o rastro de tudo que se quebrou antes.
Derrick estava parado perto da porta, o corpo tenso, o peito subindo e descendo devagar.
Ele está feliz pelo filho.
Eu via a confusão dentro dele, mas agora não era o meu papel consertar.
Pensei que fosse embora, mas ele continuou:
— Rúbia... — a voz dele saiu rouca, quase um pedido. — Eu sei que errei.
— Sabe mesmo? — perguntei, a garganta apertando. — Porque parece que só entendeu agora, quando tem um papel pra esfregar na cara do mundo.
Ele baixou os olhos.
— Dói tudo isso — continuei. — Dói porque o que você disse hoje era tudo que eu queria ouvir quando soube que estava grávida. Mas eu não tive, Derrick. Eu não tive nenhum apoio. Só crítica, desconfiança, condenação.
— Eu não sabia. Eu fiquei confuso, perturbado.
O ar ficou denso. Ele tentou se aproximar, mas eu ergui a mão, impedindo.
— Você tem ideia do que é ver o homem que você ama duvidar do próprio filho? — perguntei. — Dormir sozinha, saber que tem um bebê na barriga e pensar: “o pai dele não devia estar aqui”?
Ele passou a mão no rosto, envergonhado.
— Eu estou aqui. Sei que fui um idiota. — disse, simples, sem tentar se defender. — Um completo idiota. Mas ainda dá tempo.
— O que teria acontecido se a Riley e o chefe não tivessem me ajudado, hein? — falei, com a voz embargada. — Se eles não tivessem organizado o exame de DNA, se não tivessem me dado apoio? Você sabe o que é depender da boa vontade dos outros pra provar que não é mentirosa?
Ele fechou os olhos, como se cada palavra fosse um soco.
— Meu Deus, Derrick… — minha voz falhou. — Você sabe o quanto é humilhante pra uma mulher precisar fazer um exame de DNA com o próprio marido? Um marido que ela aprendeu a amar, a cuidar?
O silêncio que veio depois foi cruel.
O tipo de silêncio que corta mais do que grito.
Ele respirou fundo, ergueu o rosto.
— Você me ama? — a pergunta fez minhas pernas tremerem.

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