Capítulo 166
Riley
Aquelas viagens de negócios sempre me faziam lembrar o quanto o mundo dos homens gosta de falar alto, rir demais e medir poder por quem paga a conta.
Eu estava com a gravidez avançada e uma leve dor na lombar, mas fingia estar tudo bem. Luca, como sempre, parecia dono do lugar — terno alinhado, olhar calculado, mãos firmes que controlavam o ritmo das conversas sem precisar levantar a voz.
— Vamos fazer bonito, docinho — ele murmurou antes de entrarmos no salão. — Só quero assinar e voltar pra casa.
— Prometo me comportar. — sorri, mesmo sabendo que ele não acreditava muito nisso.
O jantar era com um grupo de investidores da área de transporte da máfia Bilye. Mesas longas, taças, garçons silenciosos. E entre eles, estava o tal homem — Sr. Vasconcelos, o tipo que parece sempre pronto pra ser fotografado: cabelos grisalhos calculados, voz suave, e um sorriso que demora um segundo a mais do que deveria.
Quando me viu, levantou-se de imediato. Estranhei.
— Então essa é a famosa Riley Black. — disse, estendendo a mão. — Ouvi falar muito da sua inteligência… e da sua elegância.
O olhar dele desceu, discreto demais pra parecer inocente, parando na minha barriga.
Senti o estômago revirar. Luca também percebeu. O maxilar dele travou, e o sorriso educado se transformou em uma linha dura.
— Ela é minha esposa. — disse apenas.
— Claro, claro. — o homem riu. — Que sorte a sua. Uma mulher linda, grávida, e ainda com mente afiada. Deve ser difícil encontrar equilíbrio entre negócios e maternidade, não?
— Não tanto quanto parece. — respondi, firme. — O segredo é ter um parceiro que não me trata como adorno.
Alguns riram da resposta. Outros desviaram os olhos. Luca pousou a mão sobre a minha, num gesto calmo — mas o toque estava quente demais pra ser apenas carinho. Era aviso.
Durante o jantar, o investidor continuou tentando charme: me servia vinho sem perguntar, fazia elogios demais às minhas “expressões decididas”, e uma vez chegou a dizer:
— Há algo fascinante em mulheres que carregam vida e poder ao mesmo tempo.
A assistente, Clara, inclinou-se ao meu ouvido e sussurrou:
— Cuidado. Dizem que ele tem fetiche por grávidas.
O mundo parou um segundo. Senti o sangue subir ao rosto, não de vergonha, mas de nojo.
Luca ouviu. Eu vi o movimento do pescoço dele endurecer. Vi o olhar que ele lançou — um olhar que eu já conhecia, aquele que antecede desastre.
— Riley, vem comigo um instante. — disse, levantando-se.
— Luca, estamos no meio da…
— Agora. — a voz dele era baixa, porém definitiva.
Segui, sentindo o peso dos olhares. Assim que a porta do corredor se fechou, o silêncio se tornou espesso.
— O que foi aquilo? — perguntei, cruzando os braços.
— Você ouviu o que ele disse.
— Eu ouvi, mas não fiz nada.
— O problema é exatamente esse. — ele se aproximou, os olhos queimando. — Você devia ter saído da mesa no primeiro comentário.
— E dar o gostinho de que me abalou? Não, Luca. Eu lido com esse tipo de homem desde que comecei a trabalhar.
Ele respirou fundo. Passou a mão no cabelo, nervoso, tentando se conter.
— Eu quase quebrei aquele copo na mesa.
— E teria resolvido o quê? — perguntei, firme. — Eu não sou vítima. Ele foi nojento, sim, mas eu não sou frágil.
Luca se aproximou até o corpo dele encostar no meu.
— Eu sei que não é frágil. É justamente isso que me mata. — sussurrou.

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