Capítulo 167
Luca Black
(Dia seguinte)
O café da manhã do hotel parecia silencioso demais pra um homem que ainda tinha o sangue fervendo da noite anterior.
Riley lia algo no tablet, os dedos marcando anotações enquanto eu tentava ignorar o gosto amargo de raiva que ainda me subia à boca. Aquele homem tinha ultrapassado o limite — o olhar, os comentários — e se dependesse de mim, ele nunca mais abriria a boca pra falar com uma mulher.
— Luca, não começa o dia com essa cara. — ela disse, sem levantar os olhos.
— Esse cara me irrita.
— Eu percebi.
— E você gosta de provocar.
— Não. Eu gosto de mostrar que não preciso que ninguém me defenda pra ser respeitada.
Ela disse isso, mas o olhar me entregou outra coisa — uma pontinha de orgulho por saber o que eu faria se alguém a tocasse.
E, por ironia do destino, o teste veio cedo demais.
Voltamos à sede da empresa de transportes pra encerrar a assinatura do contrato. Sala de vidro, carpete grosso, cheiro de cigarro disfarçado por perfume caro.
O investidor, Vasconcelos, veio nos receber. Eu estendi a mão — formal, como manda o protocolo. Riley ficou um passo atrás, discreta, observando.
Mas o imbecil não se conteve.
Ele sorriu e encostou a mão na barriga dela. O filho da puta se esticou pra alcançar minha mulher, e agora seu semblante nojento me deu até azia.
Um toque lento, cheio de falsa ternura.
O tempo travou.
Senti a pressão no peito virar soco. O sangue subiu tão rápido que nem ouvi o barulho da cadeira caindo.
O primeiro murro pegou o queixo dele. O segundo, o nariz.
Ele tropeçou, caiu de lado, e eu fui junto.
— QUAL MÃO TOCOU ELA? — gritei, a voz rasgando a garganta.
O homem tentou se proteger, mas eu segurei o pulso dele e bati de novo.
— PARE! EU SÓ QUERIA SENTIR O BEBÊ!
— VÁ PRA PUTA QUE PARIU COM SUA MENTIRA! NINGUÉM TEM AUTORIZAÇÃO PRA ENCOSTAR NA MINHA MULHER. DAÍ VOCÊ ESTÁ PEDINDO PRA MORRER.
— ME DESCULPA! ME DESCULPA! VAMOS FAZER NEGÓCIOS E FINGIR QUE NADA ACONTECEU! EU AUMENTO A PROPOSTA!
— VAI SE FERRAR! QUAL MÃO, DESGRAÇADO?!
Ele gemeu algo, mas eu já tinha puxado a faca da bainha.
Mesmo que ele não dissesse, eu cortaria uma delas.
Um corte seco. Um grito agudo.
— AHHHHHH! MALDITO!
O sangue respingou no carpete e nas minhas mãos.
— NINGUÉM ENCOSTA NA ESPOSA DO CHEFE DA AMERCANA! — berrei, enquanto os seguranças congelavam.
Riley, pálida, levou a mão à boca, mas não gritou — porque ela sabia que gritar não adianta com um homem como eu.
A assistente se encolheu perto da porta.

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