Capítulo 168
Rúbia
(Na manhã em que foi levada por Derrick)
O carro parou em frente à casa e, por um instante, o silêncio pareceu zombar de mim.
O mesmo portão. O mesmo jardim. Tudo igual.
Menos eu.
— Deixa que eu pego ela. — falei, antes que ele abrisse a boca.
A voz saiu seca, arranhada de raiva e cansaço.
Abri a porta, bati forte, e senti o chão da garagem tremer sob o chinelo. Esse doido nem me deixou vestir algo decente e o dia já clareou completamente.
Entrei na casa como quem invade território inimigo. Subi as escadas carregando a Mia nos braços, os pés batendo no mármore a cada degrau.
Atrás de mim, ouvi os passos de Derrick — mais lentos, trazendo as coisas dela, como se achasse que o barulho dele podia justificar o que fez.
O quarto estava igual.
O berço, o perfume, o travesseiro de nuvem.
A Mia ainda dormia, a respiração suave e tranquila, alheia ao caos que somos.
Coloquei-a no berço com cuidado, ajeitei o cobertorzinho e fiquei ali por alguns segundos, observando aquele rostinho calmo.
Como pode existir tanta paz dentro de tanta confusão?
Suspirei e saí.
Desci as escadas decidida. A raiva, que antes era gelo, começou a ferver. Ao lembrar das últimas coisas que ouvi. A proibição de sair de casa foi o que mais me irritou.
— Era só o que faltava. — falei, cruzando os braços. — Agora vai querer me prender aqui, Derrick? Claro... Não vai querer me deixar sair pra não correr o risco de eu ir embora.
Ele estava no meio da sala, as mãos nos bolsos, o olhar cansado.
— Não. — respondeu. — Eu só quero nossa vida de volta.
Fez um gesto com o queixo, apontando pra janela.
— O carro que está ali fora com o motorista é seu.
— Ah, é?
— É. Você só precisa de um segurança acompanhando, ou o motorista. Não quero te manter presa, só quero que fique aqui comigo.
Levantei uma sobrancelha.
— Hm. É verdade?
— Sim. Te dou minha palavra. — Ele se aproximou devagar, até o corpo quase tocar o meu. — A casa é sua, o carro é seu e… — encostou a mão no meu ombro, a voz descendo um tom — principalmente eu. Os olhos dele me prenderam. — O que quer fazer comigo, Rúbia?
Abri a boca pra responder — talvez xingar, talvez rir —, mas antes que qualquer palavra saísse, uma voz interrompeu.
— Senhora. Que bom que voltou. — era a Greting, parada na porta com aquele uniforme impecável e um sorriso que me irritava só por existir. — Senti falta da Mia.
Dá Mia? Ah, essa mulher está me testando. É claro que tudo que diz é proposital.
Olhei pra ela com desdém.
— Pode deixar que eu é que vou cuidar da minha filha.
Ela pareceu sem graça, deu um passo hesitante.
— Senhora, talvez haja algum mal-entendido entre nós… Eu só quero dizer que não fiz nada de errado. Só estou aqui pra trabalhar.
Mas enquanto falava, o olhar dela subiu e desceu pelo corpo do Derrick. E isso me bastou.

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