Capítulo 175
Riley Black
Era tarde. A casa voltou a ficar silenciosa. Theodore dormia no berço ao lado da cama, enrolado na manta azul que Luca trouxera da festa. A respiração dele era leve, um som quase imperceptível que me fazia prender o ar pra ouvir.
Luca estava deitado, mas eu sabia que não dormia. Dava pra sentir pela rigidez do corpo, pelo modo como os dedos dele continuavam em alerta, mesmo quando passavam distraidamente pelos meus cabelos.
— Vai descansar um pouco, amor — sussurrei, encostando o rosto no peito dele.
— Não consigo — respondeu baixo. — O som da rua tá diferente. Consigo ouvir perfeitamente.
Sorri, achando graça.
— É o silêncio, Luca. A gente saiu do hospital hoje, lembra? Aqui não tem barulho de monitor, nem enfermeira abrindo a porta.
Ele não respondeu. Os olhos estavam fixos no teto, ouvindo o que só ele parecia escutar.
Então aconteceu.
Um click metálico vindo do corredor.
Tão discreto que qualquer um acharia ser o vento. Mas Luca se moveu antes mesmo de eu processar o som.
Ele levantou sem ruído, pegou a arma do criado-mudo e fez um sinal rápido pra eu ficar quieta.
— Fica com ele. — A voz era um sussurro tenso.
Meu corpo gelou.
— Luca... — tentei, mas ele já estava indo.
O corredor parecia mais escuro do que deveria. O tapete abafava os passos, e cada segundo se arrastava. Ouvi um barulho na sala — vidro batendo, talvez o vento, talvez não.
Peguei o berço com as duas mãos, empurrando-o um pouco mais pra perto da parede. Theodore se mexeu, e meu coração quase parou junto.
Lá embaixo, a casa já não parecia a mesma.
Os sensores do muro acenderam em pontos intercalados, e homens começaram a se mover como sombras entre o jardim e o portão.
Alguns subiram nas laterais do muro, outros se espalharam perto da entrada principal.
Luca estava no meio deles — sem camisa, o corpo ainda tenso, a pistola na mão, andando de um lado pro outro e dando ordens rápidas com gestos curtos.
Dois dos nossos carros se aproximaram, faróis apagados.
Um dos guardas os interceptou, e Luca foi até lá, trocando algumas palavras secas antes de apontar para os fundos da propriedade.
Em minutos, os homens estavam em formação — rondando o perímetro, ajustando o campo de visão das câmeras, limpando os cantos do jardim com lanternas.
Ele virou o rosto na direção da janela.
Me viu.
Mesmo de longe, o olhar dele era um aviso claro: “Fica aí.”
A tensão voltou a percorrer meu corpo.

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