Capítulo 176
Derrick
(2 meses depois)
O carregamento estava quase completo. Quase.
— Último contêiner confirmado, senhor. — ouvi um dos rapazes dizer pelo rádio.
Eu acenei, ajustando a luva da mão direita, o metal frio da arma colado na palma.
Mas o ar mudou.
Um som seco — o tipo que o corpo aprende a reconhecer antes da mente.
Depois, outro.
E outro.
— Emboscada! — alguém gritou.
O eco dos tiros rasgou a noite.
Me joguei atrás do carro preto, o corpo instintivo, o olhar varrendo o escuro. Vi um vulto na passarela do guindaste — atirei.
O corpo caiu feito saco.
Corri abaixado entre as sombras, o chão coberto de estilhaços de vidro.
Atirei mais duas vezes, cada disparo uma decisão calculada, um corte rápido no silêncio.
Outro homem veio do flanco esquerdo — eu girei o corpo, o cano acompanhando o movimento.
Um tiro no peito, outro na testa.
O porto inteiro virou inferno, e no meio do caos, o telefone vibrou no meu bolso.
“Agora não”, pensei, pressionando as costas num pilar de concreto, o coração batendo no ritmo do inferno.
Peguei o celular com a mão esquerda, pronto pra desligar antes que o barulho da ligação denunciasse minha posição, mas quando vi o nome na tela, o ar me faltou.
RÚBIA.
Ela nunca ligava.
Nunca.
Engoli seco. Desviei da linha de visão e me enfiei num banheiro velho, porta semi-destrancada, azulejo rachado, respiração curta.
Atendi.
— Derrick! — a voz dela era puro pânico, trêmula, viva. — Andrew vai nascer! Corre!
Por um segundo, o mundo inteiro ficou mudo.
— Aguenta. Eu já estou indo.
Depois veio o ruído: um passo, metal raspando, o som de alguém entrando no banheiro.
Levantei o braço e atirei sem pensar. O homem tombou.
A arma fumegando, a adrenalina me rasgando por dentro. Saí feito louco metendo bala.
— Morram, filhos da puta! — gritei saindo dali, o sangue martelando no ouvido. — Meu filho vai nascer!
Corri para o corredor e continuei atirando. Um, dois, três corpos caíram.
Do outro lado do rádio, a voz de Luca ecoou:
— Vai logo, Derrick! Eu cuido daqui!
Não pensei duas vezes.
Recuei disparando, os tiros ecoando como passos de raiva.
Subi no carro, acelerei — o motor rugindo como fera solta.
As ruas até a mansão pareceram mais longas que nunca.
O coração batia descompassado. As mãos tremiam no volante, mas o foco era um só: Rúbia.
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Quando atravessei o portão, o farol iluminou o jardim.
Ela estava lá.
Apoiada na parede, suando, respirando fundo, o cabelo colado no rosto.
Os empregados em volta, nervosos, sem saber o que fazer.
Uma das funcionárias segurava a Mia, que chorava, confusa com o tumulto.
— Por que ninguém levou ela pro hospital? — berrei, ainda com a arma na mão.
— Eu não quis! — ela respondeu entre uma contração e outra, tentando sorrir. — Estava esperando por você.
O chão sumiu sob meus pés.

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