Capítulo 177
Derrick
O choro veio como um trovão miúdo — alto, urgente, impossível de ignorar.
Meu corpo reagiu antes da mente.
— Ele tá chorando... — falei, sem saber bem o que fazer, o coração já acelerando.
Rúbia, pálida, exausta e linda, ergueu a cabeça no travesseiro.
— Ele deve estar com fome. — disse, tentando ajeitar o lençol.
“Com fome.”
A palavra ecoou como se fosse um código que eu não tinha aprendido.
Olhei pro pequeno, tão minúsculo, o rosto já franzido num choro que parecia reclamar do mundo.
— Tá... com fome. — repeti, olhando em volta. — E agora? O que eu... o que a gente faz?
Rúbia segurou o bebê no colo, mas parecia tão perdida quanto eu.
— É hora de começar a amamentar. Eu não exatamente como é.
Por sorte — ou milagre — a enfermeira entrou naquele instante, com um sorriso calmo e aquele olhar de quem já viu tudo no mundo.
— Vim ajudar a mãezinha com a amamentação. — disse, num tom suave. — Está tudo bem, papai, é normal ele chorar assim.
Papai.
A palavra me acertou em cheio.
Mas não deu tempo de pensar — ela já se aproximava, ajeitando o travesseiro, mostrando pra Rúbia a posição certa.
— Assim... apoie o braço, deixa a cabecinha dele aqui. Isso. Segurei o bico com os dedos e o ajude a abocanhar.
O bebê buscou o peito com a boca, e quando finalmente encontrou, o som do choro se transformou num silêncio pequeno, quase sagrado.
Eu fiquei ali, parado, sem saber se respirava.
Aquele som novo — o barulhinho dele mamando, o corpo colado ao dela — era o som mais bonito que eu já ouvi.
O coração pesava, mas de um jeito bom.
— Meu Deus... — murmurei, passando a mão pelos cabelos. — Ele tá mesmo... mamando.
Rúbia sorriu, cansada, mas o olhar dela brilhava.
— Tá. — disse baixinho. — Tá aprendendo rápido, igual ao pai.
A enfermeira trocou de lado, mostrando como fazer quando ele soltasse.
— Agora o outro. Isso, mamãe.
E o pequeno continuou, sugando com vontade, como se o mundo inteiro dependesse disso.
Quando terminou, ela explicou:
— Agora vem o momento de colocar pra arrotar.
Olhei pra ela, sem entender.
— Arrotar? Tipo... mesmo?
— Sim, senhor. — ela sorriu. — É importante pra ele não engasgar. Pode tentar, papai?
Engoli seco, ajeitei o pequeno no meu braço como ela mostrou, apoiando o queixinho dele no ombro.
Dei umas leves batidinhas nas costas.
E então ouvi — poc! — o barulhinho mais inesperado do mundo.
— Ele... arrotou! — falei, com um sorriso que não consegui segurar.
A enfermeira riu.
— Perfeito. Tá pronto pra ser pai de verdade.
Olhei pra Rúbia. Ela chorava baixinho.
— O que foi, amor? — perguntei.
— É que... ver você assim com ele... — ela sussurrou. — É bonito demais.
Apertei o bebê contra o peito e beijei o topo da cabecinha dele.
— Não tem beleza maior que isso.
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Dois dias depois
O quarto do hospital parecia pequeno demais pra tanta vida.
Rúbia já estava de pé, fraca, mas com aquele brilho de mãe nova.
Andrew dormia no bercinho, enrolado na manta marrom que a Riley trouxe.

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