Capítulo 182
Luca Black
O fim da noite chegou devagar, com o ar frio e um silêncio estranho pairando sobre o jardim.
Os últimos balões do aniversário ainda flutuavam perto da cerca, e o cheiro de bolo misturava-se ao perfume das flores. Riley tinha subido para colocar Theo pra dormir. Derrick ficou comigo no pátio, observando os seguranças recolherem o que restou da festa.
— Parece mentira, né? — ele disse, encostando no parapeito. — Um ano atrás a gente estava enterrado em guerra. Agora tem balão colorido no gramado.
— A paz é uma farsa temporária. — respondi, sem tirar os olhos do portão. — Mas por enquanto, serve.
Ele riu de leve.
— Você e sua mania de falar bonito pra dizer que continua paranoico.
Antes que eu pudesse retrucar, um dos seguranças apareceu correndo, a respiração pesada.
— Senhor Black… — ofegou. — Tem um homem lá fora. Quer falar com o senhor. Diz que é urgente.
— Nome?
— Paulo. Só isso. Disse que não sai daqui sem ver o senhor.
Troquei um olhar com Derrick.
— Ele está armado?
— Não parece. Só… desesperado. Mãos na cabeça e nos bolsos.
Derrick olhou pra Rúbia.
— Coloca as crianças pra dormir aqui. Vai ficar mais confortável. Vou ver do que se trata. — Rúbia assentiu.
Ele passou algumas ordens para nossos homens.
Desci os degraus da varanda. Derrick veio junto, instintivamente.
O ar da noite já trazia um frio leve, e as luzes do portão lançavam sombras compridas no chão.
O homem estava parado do lado de fora, chapéu nas mãos, roupas gastas, o rosto marcado por um sol antigo e uma tristeza ensaiada.
— Senhor Black? — a voz dele era rouca. — Eu soube que o senhor é um homem justo. Vim porque… não tenho mais pra onde ir.
— Diga logo o que quer. — falei enquanto mexia no revólver.
Ele olhou pra mim, depois pro Derrick, e seus olhos marejaram.
— Roubaram a minha vida, senhor. Roubaram a minha mulher.
Derrick franziu o cenho, atento.
— E o que eu tenho a ver com isso? — perguntei.
— É que... O senhor sabe quem é.
— Ah é? Quando isso aconteceu?
— Há dois anos. Ela estava grávida. Levaram ela… e nunca mais voltou.
Um silêncio pesado tomou o ar.
O homem respirou fundo, trêmulo.
— Eu procurei. Em cada cidade, cada vila, cada maldito hospital. Até que… — ele tirou um papel amassado do bolso. Era um recorte de jornal, a foto do aniversário de Theo. — Eu vi essa menina aqui.
Apontou.
— Essa. A menininha de vestido rosa. A chamam de Mia.
Derrick ficou imóvel. O nome soou como um tiro.
— Essa menina… é minha filha. — o homem continuou, a voz embargada. — Minha esposa foi morta. Disseram que os homens que a levaram venderam o bebê. Eu juro, senhor… eu só quero a minha criança de volta. Posso trabalhar a vida toda pra pagar.
Derrick deu um passo à frente, os punhos cerrados.

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