Capítulo 187
Riley Black
Vi o rosto dele tão perto que o vapor desistiu de embaçar, como se tivesse respeito. O “Don” encaixado em mim, a força alinhada à ternura, o controle só para manter o mundo em pé enquanto ele me desmancha.
Nos movemos juntos, e, por alguns segundos, o tilintar da água pareceu acompanhar nosso compasso. Não havia violência; havia precisão. Ele sabia exatamente quando diminuir, quando intensificar, quando parar só o suficiente pra eu querer mais e quando ceder porque eu implorei sem voz.
— Caralho, Riley… — sussurrou, e a testa dele tocou na minha. — Você é minha.
— Sou. — respondi, sem orgulho nenhum de parecer tão fácil, e com todo orgulho de ser dele. — Sou.
Quando ele me virou, foi com a firmeza de quem segura algo precioso e perigoso ao mesmo tempo. Minhas mãos encontraram o vidro, e o vidro estava frio — eu, não.
— Empina pra mim.
Luca encaixou o corpo ao meu, como se o espaço entre nós fosse desperdício. O beijo veio de lado, na linha do maxilar. Um juramento de posse, um pedido impaciente. A água escorria, demarcando caminhos pela minha coluna, e o toque dele, safado e preciso, buscou aquele ponto que só ele usa, o gesto pequeno e maldoso que desmonta minhas pernas e me arranca um gemido que eu esconderia de todo mundo, menos dele.
— Aí. — foi tudo o que eu consegui dizer, e ele riu, satisfeito.
— Eu sei, docinho. Eu sempre sei. Vou mais devagar.
— Não. Não para.
O resto foi o som do chuveiro mais alto, como se quisesse nos encobrir do mundo. Meus dedos no vidro deixaram marcas que sumiram em segundos; os dele, na minha cintura, deixaram marcas que ficaram.
O compasso aumentou, depois afrouxou, depois cresceu de novo — um jogo de subir e descer que ele domina como quem pensa em estratégia até para o prazer. E quando o fim veio, veio em ondas. Eu mordi um “Luca” no ombro do próprio Luca, e ele devolveu com um “porra” que vibrou no meu peito.
Ficamos respirando ali, encostados ao vidro, a água correndo como se pudesse nos desenhar de novo. O mundo reapareceu devagar, primeiro o barulho distante de um carro na rua, depois o tique seco do encanamento, depois os nossos corações, competindo para ver quem se aquieta primeiro.
Ele afastou uma mecha do meu rosto molhado e tocou a ponta do meu nariz, gesto bobo para um homem como ele.
— Você me vicia. — confessou, sério, o tipo de verdade que ele não costuma admitir — pelo menos não assim, sem máscara.
— Eu sei. — respondi, com a audácia que ele me ensinou. — Você também.
Luca sorriu — aquele sorriso de canto que não é para ninguém além de mim — e fechou o chuveiro quando terminamos o banho.
O silêncio que ficou tinha textura de cobertor. Ele pegou a toalha e me envolveu, esfregando de leve os ombros, o cuidado contrastando com a possessividade que ainda havia na ponta dos dedos. Eu vesti o roupão, ele amarrou com firmeza exagerada, e eu não reclamei; gosto de quando ele “sela” as coisas como se pudesse me guardar do mundo assim.
— Vem. — disse, puxando minha mão.
Passamos pelo quarto com as luzes baixas. A babá eletrônica soltava um ruído leve, fiel; o Théo dormia. O relógio no criado marcava uma madrugada preguiçosa. Sentei na cama enquanto ele pegava uma camiseta limpa. Às vezes, o Luca me observa como se estivesse lendo um relatório. Outras, como agora, ele não lê nada — só olha.
— Tá tudo bem? — perguntei, sabendo que “tudo” não era pouca coisa: o homem que apareceu, o teste, o que viria quando o sol nascesse, as decisões que não têm volta.

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