Capítulo 20
Luca Black
Ela está me provocando. Eu sei.
Cada maldito gesto da Riley, cada curva sob esse vestido preto justo… tudo milimetricamente desenhado pra me fazer perder a cabeça. E tá funcionando. Porra, tá funcionando mais do que deveria.
Mas como é que eu afasto essa mulher agora?
Ela se sentou no meu colo como se tivesse feito isso a vida inteira. A cintura dela encaixa perfeitamente na minha mão. O perfume gruda na pele e me faz querer enterrar o rosto naquele pescoço e esquecer que tem gente ao redor. E ainda por cima, ela me olha com aqueles olhos grandes, como se estivesse no controle.
Ela nunca esteve tão bonita. Nunca esteve tão… minha.
A mesa foi montada em silêncio. A cozinheira veio com a travessa, o mordomo com as taças. Mas foda-se todo o protocolo. Que se dane se Mendez acha estranho. Essa mulher — essa vadiazinha teimosa que agora leva meu sobrenome — vai continuar exatamente onde está: no meu colo.
Vejo Mendez tentando disfarçar, mas os olhos dele insistem em voltar pra Riley. Merda, quero matar esse desgraçado. Só isso já me fez perder o tesão pelo negócio inteiro que ele propôs. Esse desgraçado não sabe olhar com respeito? Não vê que ela é minha?
Ele fala alguma coisa sobre rotas alternativas para o transporte de armas — menciona fronteira, um tal de “roteiro novo pelo norte”, mas minha atenção tá dividida entre o que ele diz e o garfo que Riley tenta segurar com elegância. A porra da lagosta escorrega do prato. Tamy quase gargalha.
— Não tá acostumada com lagosta? — ela solta, fingindo simpatia.
Minha mandíbula trava. Mas Riley se mexe no meu colo e solta um sorrisinho.
— Prefiro coisa mais suculenta. Mas posso aprender. — Ela cruza as pernas. Sinto o calor subir pelo meu abdômen.
— Aqui. — pego o talher da mão dela e, ignorando completamente a conversa sobre armas, ajudo a cortar o caralho do crustáceo.
Ela me olha. Os olhos estão um pouco surpresos… um pouco tocados. Talvez ela não esperasse que eu fizesse isso. Mas fiz. Porque quero que todo mundo saiba: ninguém ri da minha mulher. E ninguém, ninguém, toca nela nem com os olhos.
— Obrigada, querido. — ela sussurra, colocando um pedaço na boca. Devagar.
Maldita. Fez de propósito.
— Porque está com um maldito sorriso no rosto? — sussurrei.
— Desculpe chefe. — sussurrou me fazendo arrepiar.
— Como eu dizia, senhor Black… — Mendez volta, forçando a voz. — Essa nova rota diminuiria o risco de vigilância em 40%. Os carregamentos chegam direto à zona leste sem precisar das licenças falsas.
— Hm. — Respondo, sem tirar os olhos da Riley mastigando. Ela lambe os lábios. Eu quase esqueço o nome do Mendez.
— Você tem algo a dizer sobre isso? — ele insiste, agora irritado.
— Tenho. — Respondo seco, soltando o talher. Olho bem nos olhos dele. — Você cruzou a linha quando passou dos limites com a minha esposa. E agora quer que eu confie meu carregamento nas suas mãos?
O homem empalidece.
— Eu… não quis ofender.
— Mas ofendeu. — Faço questão de dizer bem devagar. — Eu prezo meus negócios. Mas respeito vem antes do lucro. Se quiser continuar conversando, sugiro que trate minha mulher com o mesmo cuidado com que trata seus contratos.
Riley se mexe no meu colo, mais contida agora. Não sei se é surpresa ou se é medo que eu exploda com tudo — o que, sinceramente, não tá muito longe de acontecer.
Tamy tenta interferir com algum comentário bobo, mas eu levanto uma das mãos no ar. Silêncio total.
— Riley. — chamo, olhando pra ela. — Tá tudo bem?

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