RUBI MONTENEGRO
Eram três da manhã de uma terça-feira quando eu senti. Uma pontada forte no pé da barriga que me fez abrir os olhos na escuridão do quarto, seguida por uma sensação inconfundível de umidade nos lençóis.
Eu estava com trinta e oito semanas. Nossos gêmeos haviam decidido que a estadia no "hotel" havia acabado.
Respirei fundo, sentindo a contração apertar os meus músculos.
— Ares... — chamei baixinho, tocando o ombro do meu marido.
Ele ressonava suavemente, com um braço jogado sobre o meu corpo.
— Amor... — chamei de novo, dando um empurrão. — Acorda.
Ele abriu os olhos de supetão.
— O que foi? Alguém invadiu a casa?
— Não. A minha bolsa estourou. Eles estão vindo.
— Agora? Mas... a médica disse que ainda faltavam uns dias! — Ele pulou da cama tão rápido que quase tropeçou. — Fique calma, Rubi! Não entre em pânico! Pelo amor de Deus, respire!
— Eu estou calma, Ares. Você é quem está vestindo a camisa do avesso — apontei, segurando a barriga.
Ares correu pelo closet esbarrando nas coisas, pegou a bolsa da maternidade que estava pronta, calçou os sapatos sem meia, agarrou o celular, as chaves do carro e a minha mão em tempo recorde.
— Respira, respira! — ele dizia, embora ele mesmo estivesse ofegante enquanto me ajudava a descer as escadas com o máximo de cuidado.
Ares xingou todos os semáforos vermelhos de Nova York e buzinou mesmo com as ruas desertas. Eu segurava a minha barriga, soltando gemidos curtos a cada contração, enquanto tentava não rir do desespero do meu grande e feroz marido.
Assim que o carro parou na entrada da emergência, Ares praticamente arrancou a porta do veículo.
— A minha esposa está em trabalho de parto! — ele gritou para os enfermeiros. — Tragam uma cadeira de rodas! Chamem a doutora Harris agora!
A partir daquele momento, tudo se acelerou. Fui levada para a sala de parto. As contrações se tornaram intensas, uma dor aguda que tomava conta de todo o meu corpo. Mas, no meio dos médicos, luzes fortes e monitores apitando, havia uma constante: Ares.
Ele estava ao meu lado, vestido com as roupas esterilizadas do hospital. As mãos grandes dele seguravam a minha com força.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor CEO, sua esposa gorda virou uma DEUSA!