Pov Lianna Aslan
Minha respiração falha. O chão some sob meus pés. A verdade, cruel e nua, se instala: meu casamento nunca foi amor. Foi uma prisão.
As lágrimas escorrem sem que eu consiga controlar.
Não digo mais nada. Não consigo.
Afundo no chão, encostada à cama, puxando o lençol para me cobrir, tentando me recolher em um casulo de silêncio. Ele me encara por um instante, resfolegando, depois se afasta, ajustando a camisa como se nada tivesse acontecido.
— Amanhã conversamos. — Sua voz é seca, definitiva.
Ele deu meia-volta, mas em vez de sair, parou diante da porta. Seus ombros subiram e desceram numa respiração profunda. Quando se virou novamente, a frieza nos olhos havia dado lugar a algo mais perigoso, mais primitivo. Uma centelha de posse absoluta que fez meu estômago embrulhar.
— Pensando bem, não... Não vamos esperar até amanhã — ele disse, sua voz um fio de ameaça sedosa. — Você quer a verdade, Lianna? Então vai ter. Toda ela.
Meus olhos arregalaram-se quando ele arrancou o cinto da calça, o couro sibilando no ar. Antes que eu pudesse gritar, ele me puxou para cama e estava sobre mim, seus joelhos imobilizando minhas coxas na cama. O peso do seu corpo era esmagador.
— Zayden, não! Por favor! — Minha voz era um apelo estridente, carregado de um pânico que eu mesma não reconhecia.
Ele ignorou meus protestos, prendendo meus pulsos com uma das mãos e usando a outra para puxar o tecido frágil da lingerie. O som do rendado se rasgando ecoou no quarto como um tiro.
— Você é minha esposa — ele sussurrou, seu hálito quente e embriagado de uísque contra meu pescoço. — Seu corpo me pertence. Sua alma me pertence. Esqueceu?
As lágrimas escorriam pelos meus rostos, misturando-se ao suor e ao restante da maquiagem. Cada toque dele, que antes poderia ter despertado prazer, agora queimava como fogo. Era uma violação, uma demarcação de território.
— Eu te odeio — solucei, virando o rosto para o travesseiro.
Ele riu, um som baixo e sem humor.
— Odeie, então. Mas me deseja também. Seu corpo não mente para mim, Lianna.
Era a mais cruel das verdades. Mesmo através do medo e da raiva, meu corpo, treinado por anos de sua posse, respondia à familiaridade do seu toque. Um gemido escapou de meus lábios, seguido por um novo surto de choro, mais amargo que o anterior. A vergonha dessa resposta fisiológica involuntária era quase pior que a violência. Apesar do meu corpo responder a ele, eu não queria e ele não parecia se importar com isso.
Ele a interpretou como rendição.
— Viu? — murmurou, seus lábios percorrendo minha clavícula. — Você sempre foi minha. Sempre será.
O mundo se reduziu àquele espaço: ao som de sua respiração ofegante, ao cheiro do uísque e do perfume de Camille que ainda impregnava sua pele, ao sabor salgado de minhas próprias lágrimas. Era um ato de dominação, não de paixão. Uma reafirmação do seu controle no momento em que eu ousara questioná-lo.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!