POV Lianna
— Você enlouqueceu, Lianna?! — Zayden grita. — Camille não fez de propósito, e mesmo assim você foi cruel! Ela está fraca, podia ter se machucado. Peça desculpas!
— Fraca?! — minha voz treme. — Você chama isso de fraqueza? Depois de tudo que ela fez?
— Chega! — ele interrompe. — Você vai pedir desculpas. Agora.
As pessoas olham. Algumas cochicham.
Eu sinto o chão fugir.
— Não. — sussurro. — Eu não vou pedir desculpas por me defender.
Ele me encara, incrédulo.
— Está me desafiando, Lianna?
— Estou cansada de ser sua piada.
Eu viro o rosto, engulo o grito que ameaça sair.
Saí do salão.
O corredor do hotel estava frio, o mármore gelado sob meus pés. Encostei na parede, respirei fundo.
Uma. Duas. Três vezes. Mas o ar não entrava.
Meu peito apertava como se algo o esmagasse de dentro pra fora. O coração disparava. A visão começou a escurecer nas bordas.
— Senhora Cross? — ouvi alguém chamar, distante.
Não respondi. Dei um passo. Depois outro. O chão pareceu sumir. Tudo ficou preto.
Quando abri os olhos, o teto era branco. A luz, fria. O som ritmado de máquinas preenchia o silêncio. Demorei pra entender onde estava. No Hospital.
Minha cabeça latejava. O corpo inteiro doía, especialmente o lado do rosto que ele me bateu. Toquei devagar. A pele estava sensível, quente.
Uma mulher de jaleco entrou, sorrindo de leve.
— Senhora Cross? Sou a doutora Maura. Como se sente?
— Tonta… — sussurrei. — O que aconteceu?
— A senhora desmaiou. Um quadro de estresse agudo. Seu corpo está pedindo socorro.
Ela se aproximou um pouco mais, os olhos gentis demais pra disfarçar o que via.
— Eu examinei você — disse, baixando o tom. — Encontrei hematomas recentes. No rosto, nos braços… marcas que não parecem acidentais.
Meu coração parou por um segundo.
— Eu… caí — menti.
— Não, senhora Cross. — Ela balançou a cabeça com suavidade. — Pode me dizer o que quiser, mas o corpo não mente.
Senti o impacto das palavras dela.
— Além disso… — a doutora respirou fundo — A senhora está grávida. São dois corações batendo. Estão bem por enquanto, mas… — hesitou — se a senhora continuar sob tanto estresse, se esses episódios de agressão se repetirem, pode colocar os bebês em risco. E a si mesma também.
Fiquei imóvel. As palavras giravam em volta de mim, mas o sentido delas era um só: eles estavam em perigo.
A doutora tocou meu ombro, com ternura.
— Sei que talvez não queira ouvir isso, mas precisa pensar em si mesma agora. E nos seus filhos.
Fechei os olhos.
O rosto de Zayden veio à mente… frio, arrogante, cruel e o som do tapa pareceu ecoar de novo.
Eu não podia voltar para aquela casa.
Não mais.
***

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