POV Lianna
Meu rosto ainda dói.
Passei mais de uma hora em frente à penteadeira tentando apagar o tapa que Zayden me deu na noite passada. O que consegui foi apenas disfarçar.
Olho para o meu reflexo no espelho. Os olhos que me encaram são de uma estranha. Estão vazios, sem brilho, como se a luz que neles habitava tivesse sido roubada.
A mulher que escolheu uma lingerie para celebrar o amor está morta. O que sobrou é um casulo vazio, uma concha quebrada na praia após uma tempestade,
Eu não posso falhar. Hoje é um evento da empresa, o tal jantar de negócios que Zayden considera mais importante que qualquer aniversário de casamento, mais importante que nós dois.
E eu, como sua esposa, tenho que estar lá. Brilhar. Fingir que nada aconteceu.
Escolhi um vestido longo, vermelho escarlate. Elegante, mas não ousado. Um escudo disfarçado de glamour. Coloquei joias discretas, presilhas douradas no cabelo. Se ele me quer como acessório, que seja o mais caro da vitrine.
Quando entro no salão do hotel escolhido, o som da música e o burburinho de vozes me atingem como ondas de um mar gelado. Lustres de cristal espalham reflexos dourados. Homens de terno discutem números, mulheres ricas exibem sorrisos artificiais.
E lá está ele.
De pé, imponente, como sempre. O terno perfeitamente alinhado, a gravata preta impecável. Ao seu lado, Camille.
Minha irmã. Minha traição em carne e osso.
O vestido dela é azul-marinho, justo e provocante. O sorriso? Doce, treinado. O tipo de sorriso que parece inocente, mas tem veneno na ponta. E o braço dele está próximo demais do dela. Um movimento sutil, mas íntimo.
Os olhares em volta percebem.
Os cochichos começam.
E me atingem antes mesmo que eu me aproxime.
— É a esposa dele?
— Mas aquela não é a irmã dela?
— Que escândalo...
O sangue some das minhas mãos.
Sinto o chão balançar, mas mantenho a postura. Ombros retos, queixo erguido. Se é pra ser humilhada, que pelo menos eu pareça feita de mármore.
Zayden percebe minha chegada.
Seus olhos cruzam os meus… frios, avaliadores. Ele não se aproxima, não sorri, não me chama. Apenas observa, parecendo medir o quanto eu aguento antes de quebrar.
Camille, por outro lado, levanta a taça.
— Lianna! — chama em voz alta, atraindo a atenção de metade do salão. — Que surpresa ver você aqui!
“Surpresa.”
Como se eu não fosse a esposa legítima.
— Camille — respondo, mantendo a voz firme. — Que coincidência.
Ela se aproxima, passos lentos, o tilintar da pulseira ecoando como provocação.
— Veio sozinha? — pergunta, o sorriso inocente demais pra ser verdadeiro. — Zayden e eu estávamos conversando sobre o novo contrato da empresa. Você sabe como ele é... sempre tão dedicado.
O subtexto é claro.
E os olhares ao redor captam.
Alguns riem. Outros me observam com piedade.

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