POV Lianna Aslan
— Eu estou grávida, Zayden. — sussurrei. — Grávida de gêmeos.
O silêncio que veio depois foi o pior tipo de tortura.
Por um instante, ele só me olhou, o maxilar travado, o olhar duro como pedra. Pensei que ele fosse me abraçar, ou pelo menos perguntar se eu estava bem. Mas não.
Ele riu. Baixo no começo, depois mais alto, sarcástico, ferino.
— Gêmeos. — repetiu, com uma ironia que doeu mais do que qualquer soco. — Que conveniente, Lianna. Dois filhos de uma vez só. Acha mesmo que vou cair nessa?
— O quê? — minha voz quebrou. — Zayden, eu… eu acabei de sair do hospital. Eu desmaiei, e o médico…
— Ah, por favor! — ele cortou, levantando as mãos, rindo com desdém. — Agora você desmaia também? Que atuação, Lianna. Deve ter aprendido com suas novelas preferidas.
— Eu não estou mentindo! — as lágrimas começaram a escorrer. — Eu… eu posso te mostrar os exames, eu…
Ele se aproximou, o olhar fervendo de raiva e desprezo.
— Você acha que eu sou idiota? Que vou engolir essa história pra me prender? — ele cuspiu as palavras, cada sílaba carregada de veneno.
— Eu não… — tentei dizer, mas a voz se apagou.
— CALA A PORRA DA BOCA!!! — rugiu.
O som explodiu no ar como um trovão.
E, num segundo, o tapa veio.
Seco. Estalado.
Meu rosto virou para o lado com a força. O gosto metálico do sangue se espalhou na boca. Fiquei parada, atônita, o mundo girando em volta.
Ele passou a mão pelos cabelos, respirando fundo, como se fosse ele o ferido.
— Você me cansa, Lianna. Sempre o mesmo drama. Sempre a vítima perfeita.
Quando voltei a encará-lo, ele já estava me olhando com aquele olhar vazio, o olhar de quem não reconhece a pessoa à frente.
— Você é uma vergonha. — disse, com a voz fria. — Uma maldição que eu trouxe pra dentro da minha casa.
— Por quê...? — minha voz mal saiu. — Por que me faz isso?
Ele bufou, passou a mão no cabelo e, antes que eu pudesse reagir, veio o empurrão. Fui contra a quina do sofá, o ar escapando dos meus pulmões. O chão girou. A dor rasgou minha barriga por dentro, e o pânico tomou conta.
— Zayden, para... — supliquei. — Por favor... eu tô grávida...
Mas ele não ouviu. A fúria cegava. Um chute atingiu meu abdômen de raspão, me jogando contra o chão frio. O impacto me fez gritar, o som ecoando pela sala vazia. Demorou pra entender que aquele som, aquele grito, era meu.
Ele ficou parado, respirando pesado. O olhar dele, agora, era vazio.
— Some daqui. — disse, baixo, rouco. — Some antes que eu perca o resto do controle.

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