Mariana voltou ao seu lugar e sentou-se, mudando de assunto.
Sabrina comia em silêncio, olhando de vez em quando para o pequeno à sua frente.
Ele já não reconhecia Daniela e ainda se lembrava de ter chorado de susto com o grito dela há pouco.
Os olhos redondos e escuros estavam um pouco perdidos, sempre olhando na direção de Sabrina, como se pedisse ajuda.
Daniela também percebeu, pegou uma colherzinha colorida e deu creme de ovos para ele, com o tom de voz o mais suave possível, tentando fazer com que Noriel parasse de ter medo dela.
Com Noriel por perto, ela controlou o temperamento, e não houve nenhum desentendimento durante toda a refeição.
Após a refeição, Henrique levou Sabrina para o andar de cima, enquanto os outros ficaram ao redor de Noriel.
Não era a primeira vez que Sabrina descansava na Vila de Ramos.
Nos dois anos em que esteve casada, ela dormiu bastante por ali.
Por alguma razão, a sensação desta vez era bem diferente.
Assim que entraram no quarto, Henrique a abraçou e a levou em direção à cama.
— Em plena luz do dia, o que você quer fazer?
Enquanto falavam, já haviam chegado à beira da cama. Henrique sentou-se primeiro e puxou Sabrina para o colo dele.
— Faz quantos dias que você voltou para a Capital?
Sabrina sentou no colo dele, com os pés fora do chão. As pernas longas e cheias de músculos dele sustentavam seu corpo com firmeza.
Ela pensou um pouco e disse: — Quase uma semana, eu acho?
Depois que teve Noriel, sua memória ficou muito ruim. Antes, conseguia lembrar claramente o mês, a data e o dia da semana.
Agora os dias passavam de forma confusa, olhava o calendário várias vezes ao dia e nem lembrava a data ou o dia.
— Pois é, quase uma semana.
Henrique segurou a mão dela, esfregando o polegar nas costas da mão dela: — Eu ainda não me fartei.
Sabrina paralisou por um instante.
Ela quase tinha se esquecido desse detalhe.
Tinham acontecido muitas coisas depois que voltaram para a Capital, e com Mariana era uma situação nova a cada dia.
Henrique estava ocupado com as coisas de Mariana ou com o trabalho, e só conseguia descansar bem tarde da noite.
Na hora em que ele ia dormir, Sabrina já havia adormecido com Noriel.
Ela não conseguia argumentar contra ele, nem se soltar.
Passou a tarde toda presa no quarto com Henrique, que tirou proveito dela de todas as formas, faltando apenas o último passo.
Ela estava envergonhada e irritada, mas isso não chegava perto do desconforto de Henrique.
No fim, Henrique percebeu que só estava torturando a si mesmo e a soltou.
— Desça e vá se preparando. Nós vamos para casa.
Ele precisava se acalmar, e com Sabrina ali, não iria conseguir.
Se não fosse inapropriado tomar um banho frio agora, ele adoraria ir para debaixo do chuveiro.
Quando Sabrina desceu as escadas, a discussão lá embaixo estava a todo vapor.
As três mulheres começaram a discutir por causa de Noriel.
— Mãe, não seja irracional. A gente combinou dez minutos para cada uma, e a senhora já está com ele há vinte.
— A avó ficou cansada agora há pouco, então cinco desses minutos eu segurei no lugar dela.
— E por que você tem que segurar por ela? A gente combinou que os cinco minutos da avó seriam divididos entre nós duas. Dois minutos e meio para cada uma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!