Isso significava que Fernando não queria que Oceana fosse.
— Eu tenho que ir. Faça o Henrique arranjar um jeito de me levar junto.
Sabrina estava no telefone e Henrique estava ao lado.
Ela ligou o viva-voz e lançou um olhar interrogativo para ele.
— Tem algum jeito?
Henrique respondeu com tranquilidade.
— Eu não ando dormindo muito bem ultimamente, não consigo pensar em nenhum plano.
Nos últimos dias, a rejeição de Noriel a ele tinha ficado ainda mais intensa.
Tinha chegado a um ponto em que o menino sequer deixava Henrique entrar no quarto para dormir.
Ele já havia passado várias noites seguidas para o lado de fora.
Em duas delas, ele não aguentou e foi para o quarto de Sabrina depois que Noriel já estava dormindo.
A primeira noite ocorreu sem problemas, mas, de manhã, quando o garoto viu que ela e Henrique estavam dormindo juntos e ele sozinho no seu berço, chorou aos berros, como se tivesse sido abandonado.
Sabrina ficou de coração partido e imediatamente empurrou Henrique de lado, pegando Noriel para acalmá-lo.
Por conta disso, na segunda noite, Henrique voltou a se esgueirar para o quarto, mas precisou ir embora antes de amanhecer. Por sorte, os poucos momentos de intimidade entre os dois foram suficientes para ele.
Porém, ele não aproveitou o momento de afeto em seguida.
O ar parecia estar preso dentro do peito e ele não conseguia respirar fundo.
Sabrina percebeu as segundas intenções na resposta dele e deu-lhe um olhar feio.
— Pare com isso.
— Dou uma resposta a ela na véspera do banquete.
Henrique simplesmente encerrou a conversa e desligou o telefone na cara de Oceana.
O que ele queria dizer era que dependeria do que Sabrina fizesse.
Oceana, por outro lado, achou que ele estava arrumando problemas de propósito e mandou um bombardeio de mensagens para xingá-lo.
Para Henrique, receber aquele xingamento era como um leve arranhão, sem dor nem cócegas.
Foi Noriel, aquele bebê que ainda não sabia falar, quem havia conseguido quebrar os limites dele.
— E se ele sentir a minha falta e chorar?
— Está pensando demais. Ele só gosta de me provocar. Com você longe, ele voltará ao normal.
Havia muita verdade por trás da explicação dele.
O menino iria chorar pela falta dela, mas não do jeito desesperado que Sabrina pensava.
Não tinha sido do mesmo jeito que a prevenção contra Henrique.
Ou seja, na cabecinha dele, se ela não estava lá não tinha problema, mas quando ela voltava, tinha que ser só dele.
— Vá arrumar as coisas dele, vamos deixá-lo lá e aproveitamos para jantar com o vovô e a vovó hoje.
Henrique checou o relógio. Já passava das três da tarde.
Ele deveria estar no escritório trabalhando, mas adiantou a hora do almoço de propósito durante o cochilo de Noriel, visando passar tempo a sós com Sabrina.
O menino estava dormindo pesado, mas parecia estar sonhando com algo ruim, e os cantos da sua boca se repuxaram subitamente.
Ela hesitou um instante e então começou a arrumar a bagagem de Noriel.

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