Sabrina já tinha ouvido falar do pai de Fernando.
Ele só queria liberdade para viver como desejava. Como a família Moraes o reprimia, ele decidiu ir embora.
Sem gastar um centavo da família Moraes, encontrou um lugar onde ninguém os conhecia, escondeu sua identidade, e os dois homens viveram bem, o que era mais importante que tudo.
Ele ignorou a opinião pública e não se importou com os olhares de desgosto.
Se seus pais lhe dessem apoio suficiente, ele não teria deixado a família Moraes.
Sabrina não estava falando da boca para fora.
Justamente porque Carlitos provavelmente enfrentaria essa situação, ela se posicionou de forma racional para orientar Oceana.
— Não é que eu não consiga aceitar, tenho medo de que Carlitos não consiga aceitar.
A voz de Oceana foi diminuindo enquanto ela falava.
Fernando também não viveu nessa sombra e medo todos esses anos?
Até mesmo por causa dessa pressão e medo, Fernando nem sabia distinguir se gostava de homens ou mulheres.
Como um idiota.
Isso soa engraçado, mas pensando bem, quem realmente quer o bem de Fernando só sentiria pena dele.
Oceana tinha a mesma pena do futuro de Carlitos que tinha de Fernando.
— Não se preocupe demais. Se Carlitos vai herdar isso ou não, é incerto. Mesmo se herdar, acredito que você dará a ele uma boa orientação e educação, ele não seguirá os passos de Fernando.
Fernando cresceu em meio às zombarias da família Moraes.
Desde criança, ele tinha vergonha do pai.
Mas agora, ele não via mais o pai como uma vergonha.
Seu pai foi muito corajoso, corajoso ao pedir a Arnaldo para deixar a família Moraes.
Não foi uma ameaça, foi uma libertação.
Livrar-se da opinião pública, livrar-se das amarras, uma verdadeira liberdade.
Ainda era muito cedo para falar sobre isso, e Oceana foi se acalmando aos poucos com as palavras de Sabrina.
— Daqui a dois dias, volto para a Capital.
Sabrina ficou surpresa: — Vai voltar tão cedo?


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