Talvez ela não esperasse que, mesmo depois da atitude horrível que teve, Mariana ainda falasse com tanta gentileza. Muito menos que percebesse logo a sua insegurança.
O rapaz ao seu lado era o galã da faculdade, e ela não passava de uma garota invisível.
Para ela, o fato de estarem juntos era um milagre, uma benção dos seus antepassados.
Mariana disse isso e saiu. Dessa vez, encontrou dois homens que aparentavam estar na casa dos trinta. Ao se aproximar, ouviu a conversa deles e deduziu que eram amigos preparando-se para abrir um restaurante, e foram ali pedir dinheiro.
— Olá, poderiam me levar para o pé da montanha? Meu amigo teve que sair mais cedo e não tem como pegar carro aqui. Posso pagar pela corrida.
Da primeira, da segunda... na terceira vez Mariana já não estava tão constrangida.
Ela falou com educação e clareza, avisando imediatamente que poderia pagar pela corrida.
Os dois homens hesitaram por alguns segundos, mas logo concordaram de bom grado.
— Claro. Desde que você não se importe que o nosso carro é meio velho.
Um deles pegou a chave do carro, que era um modelo antigo de um Volkswagen de dez anos. A borda da chave estava até meio desgastada.
— Claro que não. Obrigada.
Mariana acompanhou os dois homens para trás imediatamente.
O outro homem disse:
— Não precisa pagar, é só um favor...
Enquanto falavam, passaram pelo carro de Ricardo.
Ricardo abaixou o vidro do carro. O valor só do seu veículo dava para comprar vários carros como o deles.
Isso deixou os dois homens visivelmente sem graça.
E para aumentar o constrangimento, Ricardo desceu e entrou na frente deles.
Porém, o olhar de Ricardo não estava voltado para eles, e sim para Mariana.
— Você quer ir com dois homens estranhos. Se algo acontecer, como vou explicar isso para a minha mãe?
— Não precisa explicar nada. Da minha vida cuido eu.
Mariana disse isso e desviou dele para continuar.
Mas ela não deu nem dois passos e Ricardo a puxou, enfiando-a no carro.

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