— Pode contar, não tenho problema nenhum.
Ricardo argumentou com firmeza:
— Desde que você não se sinta culpada com a minha avó, tudo bem. Aquela senhora gosta tanto de você, te trata tão bem...
Esse tipo de chantagem emocional sempre funcionava com Mariana. Ela era uma filha dedicada e de bom coração. Sempre que alguém tratava ela bem, ela queria retribuir em dobro.
Se não fosse por isso, ela não teria continuado em contato com a mãe do seu "ex" depois de terminarem.
Embora não estivessem namorando de verdade com Ricardo, o fim do relacionamento... foi bastante desagradável.
A ponto de não quererem mais se ver.
Mariana não queria ceder para Ricardo, então mordeu os lábios e ficou paralisada no lugar.
Recusava-se terminantemente a pedir a ele. Com isso, ela também não tinha coragem de entrar no carro dele.
Que canalha.
Ela o xingou mentalmente, sacou o celular e tentou pedir um carro por ali mesmo.
O local era bem isolado, e os motoristas de aplicativo não queriam atender corrida até ali. Mesmo que aceitassem, demoraria pelo menos uma hora.
E em uma hora, já estaria escuro...
Ela planejava engolir o orgulho e pedir carona para alguém que estivesse descendo a montanha, mesmo que tivesse que pagar.
Assim que descesse, poderia pegar um ônibus ou metrô.
Pedir aos outros e passar vergonha era melhor do que pedir a Ricardo!
Mariana respirou fundo, tomou coragem internamente e, de imediato, interceptou um homem que caminhava em direção ao estacionamento.
— Olá, poderia me fazer um favor...
Antes de terminar, ela percebeu de repente que o homem era um senhor de cinquenta anos.
Ele era careca, tinha o rosto cheio de dobras e tatuagens assustadoras nos braços.
Nem pensar em pegar carona no mesmo carro que ele.
Só de olhar, Mariana sentiu um calafrio na espinha.
Ela recolheu a mão, constrangida.
— Desculpe o incômodo.
Ela se virou e viu que Ricardo já havia tirado o carro e a observava não muito longe.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!