Ele se virou, colando o corpo no de Mariana, e puxou o cobertor para se cobrir.
As costas finas de Mariana tocaram o peito quente dele. Ela deu dois toques com o cotovelo, mas não conseguiu afastá-lo. No fim, sem aguentar de sono, precisou voltar a dormir.
Mesmo nos sonhos, Mariana discutia com Ricardo sobre o que significava aquela noite absurda.
Ela jamais casaria com ele.
Por outro lado, sentia-se usada. Se esquecesse tudo de hoje, sairia no prejuízo.
À tarde, os dois acordaram com fome.
Mariana acordou e a primeira coisa que fez foi pegar o celular para pedir comida.
Ela não se mexeu muito, mas como estavam na mesma cama, Ricardo, já atordoado de fome, acordou com o movimento.
— Pede para mim também.
Ele já se preparava para a possibilidade de Mariana não pedir.
Acontece que Mariana ficou em silêncio por alguns segundos e perguntou: — O que você vai comer?
Os olhos semicerrados de Ricardo se abriram na hora. — Carne.
— Tá. — Mariana foi generosa e escolheu carne bovina, de cordeiro e frutos do mar, só os pratos caros para ele.
No final, ainda comprou escova e pasta de dente e um conjunto de roupas novas.
Sem ter o que vestir, Ricardo ficou debaixo das cobertas. Observou Mariana sair da cama, enrolar-se em um cobertor e ir para o closet, de onde saiu vestindo um pijama.
Com exceção das pernas tremendo, das orelhas avermelhadas e das marcas de beijo chamativas no pescoço...
Mariana parecia perfeitamente normal.
Depois de se lavar, ao sair e ver Ricardo deitado coberto, ainda disse: — Seus itens de higiene chegam em uns dez minutos. Não se preocupe.
Ricardo ficou confuso e começou a ficar com o pé atrás:
Mariana aproveitaria que ele não estava para envenenar sua comida e matá-lo?
Passou um veneno fatal na pasta de dente?
Ou será que ela mexeu na roupa, para que, assim que ele saísse dali, ficasse nu na rua?
Ideias absurdas, mas nenhuma tão absurda quanto a atitude atual de Mariana.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!