— Claro que não!
Oceana pareceu um gato arrepiado: — Ele não estava tão bêbado. Depois que você saiu, ele levantou e voltou pro quarto dele.
Sabrina olhou para ela, sem dizer nada.
Quanto mais a olhava, mais culpada ela se sentia. Tossiu e disse: — Não pense besteira, ele é gay.
"??" Sabrina congelou. — Você tem provas?
Antes Oceana havia investigado Fernando, soube que o pai dele era gay e também teve suas suspeitas.
— Vou te falar a verdade. — Oceana apontou para a ferida na boca. — Foi ele quem me mordeu os lábios. Na noite anterior, ele confessou ter sido ameaçado por Vanessa por conta da sua orientação sexual. Eu o consolei um pouco e o ego masculino dele deve ter falado mais alto, então quis me provar que não era gay, mas... beijou até a metade e foi embora.
A flecha estava no arco, mas não foi disparada, tirou a calça só pra olhar?
Oceana rolou na cama a noite toda sem conseguir dormir, relembrando a sensação, com coceira no coração e sofrendo de pena, xingando Fernando a noite inteira.
Se não dá conta do recado, para que tentar?
— Bei-beijou e fugiu? — Sabrina não conseguia imaginar o quão intensa a noite tinha sido. — Ele vai morar aqui esses dias, esbarrando um no outro toda hora, que vergonha.
Oceana deu uma risada de desprezo. — Vergonha de quê? Somos amigas, não tem diferença de você me dar um beijo.
Sabrina ergueu um polegar para ela. — Então é uma pena, o Doutor Moraes tem ótimas qualidades.
— Uma honra minha. Tenho uma amiga maravilhosa como você, e agora um amigo gay ótimo como ele.
A pena que transparecia nas palavras de Oceana era de afogar qualquer um.
Deus sabe como aqueles músculos definidos e o corpo sensual do Fernando eram atraentes.
Ao lembrar da cena de ontem à noite, ela sentiu a cabeça esquentar.
— Sabrina, quando o Henrique te beijou, o que você sentiu?
Esse assunto veio de surpresa e o cérebro de Sabrina desligou por um segundo.
Imagens do fundo da mente, que só apareciam tarde da noite, brotaram à luz do dia e deixaram Sabrina extremamente desconfortável.
— Eu? Sensação nenhuma, só um homem beijando uma mulher.
Será que o Henrique não era bom de cama?
— Dá uma olhada no Noriel pra mim, vou me lavar.
Sabrina achou que o olhar dela estava meio estranho. Terminou de vestir Noriel, desceu da cama e entrou no banheiro para se lavar.
— Não me admira que o Henrique queira tanto que o Noriel volte para a Família Ramos, deve ser o herdeiro único.
Oceana murmurou baixinho.
Sabrina colocou a cabeça para fora. — O quê?
— Nada. — Oceana balançou a cabeça rapidamente. — Se arruma logo e vamos descer, senão o café da manhã vai esfriar.
Um momento depois, as duas desceram.
Assim que pisaram no último degrau do primeiro andar, Henrique saiu da sala de jantar e pegou Noriel no colo.
Oceana aproveitou para enganchar no braço de Sabrina. — O tempo está bom hoje, que tal levá-los para tomar sol na varanda coberta depois de comer?

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