— Não é arrependimento, apenas medo de não ser uma boa mãe.
Assim que Oceana falou, seu tom de voz já estava tingido de desânimo.
— Comparada a Sabrina, não sou uma boa mãe. Eu achava que dar comida e bebida ao bebê depois de nascer, colocá-lo numa boa casa, e contratar uma babá para ajudar quando estivesse muito ocupada era o suficiente.
Mas agora ela entendia que o que as crianças precisavam era de companhia.
O dinheiro não podia dar o amor materno às crianças.
Sabrina sempre colocava a criança em primeiro lugar, estudando com muito cuidado a primeira papinha do bebê.
Mesmo quando saía de casa com o bebê, tinha o cuidado de escolher os lugares, dando sempre prioridade a ele.
Ela era diferente. Quando queria se divertir, entregava Carlitos à babá e sumia o dia todo.
Quanto mais ela se comparava, mais se sentia mal.
— Oceana, em qual hospital você fez a fertilização? — Fernando perguntou subitamente.
Oceana parou um pouco e disse: — Fiz o procedimento no Primeiro Hospital da Capital. Escolhi esse lugar com todo cuidado, e para evitar sofrimentos, optei por fazer a fertilização logo na primeira tentativa.
Depois de dizer isso ela perguntou: — Por que você está perguntando isso?
O Primeiro Hospital da Capital era exatamente a mesma clínica em que Fernando havia feito a sua doação.
Fernando refletiu por um instante, balançou a cabeça e respondeu: — Só fiquei curioso. Vá descansar no quarto ao lado, eu fico cuidando dele. Amanhã tenho um compromisso durante todo o dia, então você vai ter que ficar sozinha no hospital.
— Hã? — Oceana engasgou. — O que você vai fazer?
Na época, Fernando tinha vindo à Cidade S junto com Henrique.
Fora Henrique, ele só conhecia Oceana por lá.
Que compromisso ele poderia ter?
Oceana ficou genuinamente curiosa, mas percebeu que havia ultrapassado os limites assim que perguntou.
— Ah, certo. Eu vou tirar uma soneca, vai cuidar das suas coisas.
Dito isto, ela levantou-se e foi para a ala ao lado.
A cama do quarto VIP era um pouco maior e mais macia.
Oceana estava cansada após um dia e uma noite de estresse e, logo após se deitar, adormeceu.
Fernando o colocou de volta na cama, sentou na cadeira e olhou para o pequeno rosto adormecido dele. Uma emoção desconhecida aflorou em seu coração.
Por volta das cinco horas da manhã, a porta do quarto do hospital foi empurrada silenciosamente.
Oceana acordou. Ela tinha pensado em dormir até o meio da noite e vir para cá, para Fernando ter algum descanso.
Quem diria que adormeceria assim que a sua cabeça tocou no travesseiro, e quando abriu os olhos de novo, eram cinco horas.
Ela ficou ainda mais com a consciência pesada. Carlitos estava assim, e ela deveria não ter dormido nada.
Entrou pela porta e viu Fernando encostado na beirada da cama, segurando a mãozinha de Carlitos. Seu coração sentiu como se tivesse sido tocado por alguma coisa.
Fernando sequer era o pai biológico de Carlitos, e ele já estava vigiando-o durante toda a noite tão assiduamente.
Ela era tão, mas tão inútil.
Pensando isso, ela entrou, pegou o cobertor leve que estava no sofá e o cobriu.
Seu olhar seguiu as mãos dele para pousar sobre a pequena mão de Carlitos. Foi inesperado ver que no braço dele havia um curativo e um band-aid.
Parecia que tinha sido prensado ali depois que ele teve sangue retirado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!