Oceana inclinou-se para conferir mais de perto.
Uma mecha de seu cabelo longo caiu ao lado da orelha e roçou suavemente o rosto de Fernando.
O rastro de cabelo o fez acordar, e Fernando abriu os olhos. Seus olhos se arregalaram para um campo branco.
O hospital era quente, e Oceana vestia apenas a camisa interna de gola quadrada que revelava sua clavícula e metade das suas curvas, sedutoramente sexy.
Um cheiro doce emanava do corpo dela. Fernando já conhecia aquele aroma intimamente, conseguia senti-lo até mesmo quando entrava no carro dela.
Nesses dias de internação, o cheiro foi misturado com os desinfetantes, mas ele ainda conseguia cheirar muito nitidamente.
— O Carlitos teve febre no meio da noite?
Oceana estava certa de que aquilo no braço de Carlitos era um buraco de agulha.
Ela olhou para baixo para ver que Fernando tinha aberto os olhos, e apressou-se em perguntar.
Havia manchas vermelhas nos olhos de Fernando. Ele abriu os seus finos lábios, sentou-se reto e massageou o ombro machucado.
— Foi feito um exame...
Havia uma cor no seu tom de voz que não era natural, mas sob o calor do momento, Oceana não notou.
— Que exame? Foi realizado no meio da noite?
A ação de Fernando esfregando seu ombro parou por um minuto, ele se levantou para dar espaço a ela e permitiu que ela sentasse.
— Foi o teste sobre a sua urticária. Me ocorreu repentinamente no meio da noite de ontem fazer esse teste de alergia.
Oceana sentou-se e olhou para Fernando. — Mas não havia necessidade de um teste na calada da noite.
Pegando a oportunidade de virar para o sofá para sentar, Fernando virou suas costas para Oceana, ajustou sua expressão e sentou-se de costas.
— Eu tenho coisas para fazer do lado de fora, então fiquei com medo de esquecer de informar à enfermeira.
Oceana acreditou nele. — O que você vai fazer hoje?
— Uma questão. Vou cuidar disso.
Fernando não clarificou as coisas.
Ele sempre esteve à vista perante Oceana, e esse repentino "uma questão" enfiou muita distância entre o relacionamento deles.
Quando as coisas se acalmaram no quarto do hospital, Oceana virou a sua cabeça para o sofá onde ele estava, sorveu com seu nariz e não disse nenhuma palavra.
— O que ele foi fazer? — Elisa não resistiu em perguntar.
— Como eu vou saber?
Oceana ajeitou a sua garganta e disse: — Não é dos nossos negócios tomar conta dos assuntos dos outros.
Elisa não a compreendeu. — Como que não? Tem alguém mais a quem ele conheça na Cidade S, tirando você?
— Ele conhece bastante gente por aqui, e também... mesmo que ele seja meu ex-marido, ele não circula em torno de mim.
Oceana adicionou outra frase em sua mente. O que mais era que Fernando nem era o ex-marido dela.
O que havia para ela cuidar dos assuntos dele?
Ver ou visitar qualquer pessoa era dos direitos de Fernando.
Mesmo que estivesse acompanhado com uma moça, não era da conta dela.
— Alguém poderia trazer um termômetro para o pequeno Carlitos?

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